11 de novembro de 2010

O livro de São Cipriano | tomo II.


O livro de São Cipriano Tomo II

Virou tradição um ex-presidente norte-americano escrever um livro, desta vez foi George W(ar). Bush que lançou seu livro de memórias, com um teor digno de memórias do front, ele deixou bem claro que não veio esse mundo a passeio;  

"Vou dizer uma coisa: o uso daquelas técnicas salvou vidas. Meu trabalho era proteger a América. E eu protegi."

"Não queria voltar para o que eu chamo de 'o pântano”

"Pedir desculpas seria basicamente dizer que aquela foi uma decisão errada. E eu não acredito que tenha sido uma decisão errada"

"Espero ser considerado um sucesso. Mas eu vou estar morto, quando eles finalmente perceberem."

"A história julga só os resultados e não os propósitos."
(Gregório Marañón)

24 de outubro de 2010

11 de setembro de 2001 – Mais uma teoria da conspiração?



‘Colherás conforme tiverdes semeado.’
Cícero (106-43 a.C.), Da Oratore, II, 65, 262

Desta vez o motivo de escrever esta postagem como adiantei na última postagem sobre o desastre ambiental no Golfo do México é justamente sobre o dia que marcou o início deste século propriamente dito: onze de setembro de 2001.

Algumas notícias foram veiculadas a respeito do tão “famoso” dia ser uma teoria da conspiração, planejada pelos norte-americanos. Essa hipótese não pode ser descartada não é verdade?
Será que os islâmicos são os únicos responsáveis pelos conflitos internacionais que sacodem o mundo?

Porque ainda não puseram as mãos em Osama Bin Laden? Qual a relação de Osama Bin Laden com a família Bush?
Será mesmo que os islâmicos são os verdadeiros culpados pelo atentado? Vou tentar responder a esses questionamentos agora...

Onze de Setembro de 2001 – O início do século XXI

Mais do que dois prédios que se estendiam por 417 e 415 metros em direção ao céu (torre sul e torre norte, respectivamente, as Torres Gêmeas como eram conhecidas, representavam o condão norte-americano. Símbolos de um tempo de prosperidade, os espigões transformaram não apenas a vista de Nova York, mas também tocaram o sentimento de supremacia dos norte-americanos.

Com quase 30 anos de existência, os arranha-céus já haviam sofrido um atentado terrorista em 1993, com uma bomba ‘plantada’ na garagem do subsolo, que chegou a abrir um buraco de 30 metros, afetando quatro andares acima e abaixo. Os criminosos, seis extremistas islâmicos, foram descobertos por meio da “nem tão eficiente” rede de informações do serviço secreto norte-americano e suas sentenças chegaram a 240 anos de prisão, cada um.

Os edifícios foram projetados para suportar 13 mil toneladas de força contra sua estrutura, por conta dos fortes ventos que teriam que enfrentar na baía de Nova York, à tamanha altura. Nem um avião, nem mesmo dois, provocariam tamanha força. No entanto, uma série de fatores subseqüentes, entre os quais o derramamento de imensa quantidade de combustível fervente, causaram a debilitação do aço que sustentava os prédios.
O WTC (Word Trade Center) acabou tornando-se um parâmetro para a sociedade, seja para o bem, em sua construção, seja para o mal, em sua destruição.

Torres Gêmeas – A construção das irmãs “indestrutíveis”.

No final da década de 1950, a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, uma agência biestadual fundada em 30 de abril de 1921, esboçou interesse num projeto para a construção de um edifício na região da ‘baixa Manhattan’, que aos poucos tornava-se um local socialmente degradado.
Sabemos muito bem, que para os norte-americanos não bastaria um simples edifício com alguns escritórios: era essencial um projeto que atraísse a atenção de empresários, investidores, turistas e principalmente da mídia, sim, como os norte-americanos gostam da exaltação exacerbada do seu poderio (em todas as esferas).
Para isso, em 1962, o arquiteto Minoru Yamasaki (1912-1986) foi convidado a entender os desejos da Autoridade Portuária e do prefeito Robert Ferdinand Wagner (1910-1991).

Pelo sobrenome ou até mesmo pelo próprio nome, Yamasaki era filho de japoneses e havia nascido em Seattle, Washington, na costa oeste dos Estados Unidos. Começou a vida sofrendo as injustiças sociais de ser descendente de nipônicos, vivendo em um país que em poucos anos entraria na guerra por conta de um ataque efetuado pelos mesmos (Pearl Harbor).
Determinado e focado em seus objetivos, Yamasaki formou-se na Universidade de Washington e, em 1945, mudou-se para Nova York para trabalhar no escritório Shreve, Lamb and Hermon, com os arquitetos que anteriormente haviam planejado o Empire State Building, construído em 1930.

Yamasaki logo começou a despontar com idéias inovadoras e, em 1949, formou seu próprio escritório. Projetou o terminal do aeroporto de Saint Louis, Missouri, e outros prédios espalhados pelos Estados Unidos. Em 1959, ganhou o prêmio de arquitetura do Instituto Americano de Arquitetura.
Logo seus projetos começaram a conquistar o mundo, com desenhos na Arábia Saudita, Japão e Canadá. Mas sua mais grandiosa realização foi o World Trade Center, o projeto que revigoraria a ilha de Manhattan.

A partir de 1965 os sonhos da Autoridade Portuária começaram a tomar forma na prancheta, conforme os esboços avançavam, a Autoridade Portuária conseguiu reservar uma área de 3.048 quilômetros quadrados, representando 12 quarteirões, um espaço e tanto...
Para usar todo o espaço, Yamasaki considerou centenas de idéias, até que finalmente sentiu-se satisfeito com o conceito de erguer duas enormes torres, que se estenderiam por 200 ou 300 metros acima do solo, junto com outras edificações menores ao redor.

Depois de muitas reuniões entre o arquiteto e os engenheiros Leslie Robertson e John Skilling, chegou-se à idéia de criar ali as torres mais altas do mundo, até então fora de cogitação.
Yamasaki esboçou os efifícios com 110 andares cada um. Foi quando alguám lhe perguntou: ‘110 andares? Por que não 220 andares?’
Prudente como são os orientais, Yamasaki respondeu: ‘Eu não quero perder a escala humana’

No entanto, por se tratar de “apenas” 110 andares, os problemas eram muitos. O primeiro deles dizia respeito ao tipo de material que deveria ser utilizado. Após muitos estudos, os engenheiros decidiram utilizar-se de uma inovação tecnológica:  grandes tubos de aço cavados, que poderiam se juntar como se fossem peças de um jogo de montagem.
A espinha dorsal dos edifícios seria composta por 48 pilastras de aço, no miolo de cada prédio, sendo as grandes responsáveis pelo fato da construção conseguir se erguer.

Outra questão dizia respeito à força dos ventos a qual as torres seriam submetidas. As colunas de aço deveriam ser reforçadas com a ajuda de mais de dez mil amortecedores visco-elásticos, espalhados por toda a extensão dos prédios, sendo ainda ajudadas por vigas de aço que sustentavam o concreto das lajes, ligas pelas pilastras centrais. Para completar, blocos de concreto de 600 toneladas seriam instalados na cobertura de cada edifício para garantir equilíbrio.

Sei que você percebeu que, com as considerações anteriores não havia o risco das construções tombarem, mas sem estes ‘pesos’, as pessoas que estivessem dentro dos prédios poderiam sentir o balanço, passando a ter a sensação de falta de confiança, além de um tremendo enjôo.

Problemas operacionais também surgiram na empreitada, devido ao tamanho do projeto, também não poderiam ficar de fora. Com mais de 400 metros de altura, imaginava-se mais de cem andares, cada andar com mais de 4000 metros quadrados, comportando cerca de 1500 escritórios e mais de 50 mil pessoas – fixas – circulando, sem contar os visitantes, isso tudo faria das torres gêmeas um verdadeiro atrativo turístico em Nova York.

Resolvidos em sua totalidade, ou pelo menos encaminhados, os problemas ficaram um pouco de lado em 1966, quando o projeto foi finalmente aprovado por uma comissão de investidores e pela prefeitura da cidade. Iniciava-se a construção do WTC, com os dois edifícios mais altos do mundo em sua época.

Os operários começaram a trabalhar em ritmo frenético. Fornecedores foram pressionados. Clientes conquistados. Cada dia de atraso no projeto representava um prejuízo de um milhão de dólares. Pensando nisso, Leslie Robertson, o engenheiro-chefe, determinou que qualquer reunião de negócios não deveria passar de 17 minutos, e metódicos do jeito que são e obviamente atendendo ao sistema capitalista, havia um cronômetro que tinha o tempo disparado a cada início de conversa. Dezessete minutos depois, concluído ou não o assunto, todos os participantes eram obrigados a retornar a seus postos de trabalho.
Produtividade! Esta era a palavra de ordem na construção do WTC.

Sete anos e 1,5 bilhão de dólares depois, o WTC estava concluído. Cento e dez andares e 103 elevadores, sendo que alguns, do tipo expresso, tiveram que ser especialmente desenvolvidos para poder levar os passageiros do térreo até o topo em questão de segundos. Haviam cerca de 45 mil janelas . Cada torre espalhava-se por 350 mil metros quadrados e haviam 12 andares reservados apenas para serviços técnicos, por exemplo segurança e manutenção predial. A fundação perfurou 21 metros abaixo da superfície e produziu 360 mil metros cúbicos de entulho. Mesmo assim, foi feita com muita cautela, pois próximo ao local dos prédios, haviam duas estações de metrô.

As antigas dificuldades operacionais foram sendo resolvidas juntamente com o projeto dos edifícios. Cerca de 168 milhões de dólares foram investidos na modernização dos transportes públicos na região; a coleta de lixo teve que ser readaptada, com investimentos pesados também (apenas em 1974, o WTC produziu 50 toneladas de lixo por dia); os sistemas de abastecimento de água foram obrigados a fornecer mais de 8 milhões de litros de água por dia.
Todos os números do WTC representavam uma magnitude até então impensável. O que pensaria Gustave Eiffel (1832-1923) se visse o que o ser humano é capaz de produzir?

Mesmo assim, quando os nova-iorquinos deram-se conta dos novos integrantes de sua paisagem, houve muitas críticas, mesmo entre os arquitetos, que não achavam graça, tampouco necessidade, de edifícios tão altos. Do ponto de vista de inovação arquitetônica, as críticas tinham certa razão, uma vez que tratavam-se de grandes ‘caixas’ retangulares.

No entanto, para a engenharia, o WTC representava um feito que criava novos parâmetros para o ser humano. Infelizmente, nem todos os homens baseiam seus parâmetros para o bem.
Yamasaki, um dos maiores arquitetos do mundo de todos os tempos, veio a morrer aos 73 anos de idade, de câncer, em 1986.

Osama Bin Laden – Porque ainda não o pegaram?

Esta é a grande pergunta: porque ainda não puseram as mãos em Osama Bin Laden?

Mas quem é ele? Um psicopata ou um idealista? Um fanático ou um homem com verdades tão profundas que o torna capaz de qualquer atrocidade?
A motivação de Osama Bin Laden é sua utopia religiosa, pois ele é antes de tudo um auto-declarado profeta tentando reconstruir as raízes puras do islamismo, ele se vê como um instrumento do poder de Deus, sua missão na terra é punir os agentes do mal.

Tratar Usämah Bin Muhammad Bin Àwad Bin Lädi, seu nome verdadeiro, como um simples extremista e jogá-lo no caldeirão do fanatismo religioso ajuda, mas não explica quem realmente é Osama.

Mas as perguntas continuam constantes: o que o levou a tamanho fervor? Existe uma corrente de estudiosos que defende uma tese baseada na psicologia: todo terrorista é uma vítima social – embora o contrário não aconteça.
Extremismo aqui no blog não! Tratá-lo como um simples homem rico e mimado não é o melhor caminho.

Então para desvendar esse enigma vou mirar o passado de Osama. Na adolescência, Bin Laden foi, de fato um garoto sem rumo, cheio de complexos e traumas. Costumava encher a cara e sair com prostitutas.
Filho de um poderoso clã islâmico, nasceu na capital Riad. É o 17º dos 54 rebentos de uma família polígama.
Sua data de aniversário permanece uma incógnita, só se sabe ao certo que nasceu em 1957.

O pai, Mohammed(a maioria dos islâmicos são Mohammed já perceberam? Devido ao nome do profeta: Mohammed, mais conhecido como Maomé) Bin Laden, consagrou-se como um fenômeno da construção civil. Imigrante do Iêmen, mudou-se para a Arábia Saudita na década de 30 e se tornou amigo íntimo do rei Saud quando propôs construir o palácio por um preço muito abaixo do mercado. A realeza ficou impressionada com o trabalho do forasteiro, que se tornou o empreiteiro oficial do reino.

O estigma do clã islâmico

O patriarca dos Bin Laden à medida que conquistava dinheiro abarrotava a casa de mulheres. Ao todo foram dez senhoras Mohammed.  Como podem perceber, ele usufruiu, e bem, do direito muçulmano de se casar com quatro mulheres ao mesmo tempo. Mantinha sempre três esposas fixas, a quarta,  a chamada “filial”, mudava de tempos em tempos. Quando se divorciava, continuava dando suporte financeiro à pobre abandonada, a renegada, que era mantida em uma espécie de mini-harém, em Jeddah.
E o que essa história tem haver com Osama? Tudo. Ele era filho de uma dessas escravas, mais precisamente de Hamida al-Attas, era Síria e ocupava esse posto de filial quando deu à luz.    

Antes do casamento cultivava hábitos modernos para os padrões islâmicos como por exemplo: não gostava de cobrir o rosto com a burca. Suas ousadias acabaram lhe rendendo o desprezo das demais esposas de Mohammed.
Com o nascimento de Osama a situação piorou. Ganhou a alcunha de “a escrava” e o pequeno Osama passou a ser chamado de “filho da escrava”.
Noa dias atuais Osama poderia ser chamado de “o filho da empregada”, e foi tremendamente hostilizado; com a mãe sempre ausente, sofria com a rejeição dos irmãos. Seu único ídolo era o pai, um homem generoso, mas de personalidade dominadora. Exigia das crianças disciplina e obediência religiosa, obrigando-os a demonstrar independência e autoconfiança.

O tímido Osama penava para agradar o velho intransigente.  E para piorar ainda mais a situação o pai morreu em um acidente de helicóptero e ele se sentiu ainda mais abandonado, até então com 10 anos de idade.
Mas o seu futuro não seria tão trágico assim, pelo menos financeiramente, com uma herança estimada em US$ 300 milhões (estimativas mais recentes apontam uma fortuna de US$ 25 milhões), ele foi então viver com a mãe, uma mulher que mal conhecia.

Sua educação deu-se em casa, com tutores. Ele era um aluno brilhante, capaz de decorar grandes passagens do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Em 1973 foi mandado para o Líbano para fazer o ensino médio. Estava por assim dizer sozinho, mergulhou na luxúria.
Andava de Mercedes-Benz com chofer, freqüentava boates (boites) caras, apostava fortunas nos cassinos, enchia a cara de uísque e circulava com prostitutas.

A versão playboy do futuro terrorista acabou com o início da guerra civil libanesa. Osama foi obrigado pela família a voltar para a Arábia Saudita, onde passou a estudar engenharia na Universidade de King Abdul Aziz.
Segundo pesquisadores, sentimentos de culpa pelos excessos da adolescência começaram a perturbar Bin Laden quando começou a freqüentar as aulas de islamismo.

Um de seus professores era Abdullah Azzam, ninguém menos do que um dos fundadores da organização terrorista Al Qaeda.
Por associação, enquanto Bin Laden se aprofundava nos preceitos islâmicos, o Afeganistão foi invadido pela União Soviética, que tentava salvar o combalido comunismo do país.

Tem uma frase de Honoré de Balzac que diz assim: Jamais os moralistas conseguirão fazer compreender toda a influência que os sentimentos exercem sobre os interesses. Essa influência é tão poderosa como a dos interesses sobre os sentimentos. Todas as leis da natureza têm um duplo efeito, em sentido inverso um do outro.

Nada mais intrigante e verdadeiro.  Influenciado pelo professor Azzam, Osama partiu para o Paquistão para conhecer os líderes da resistência muçulmana. No retorno para casa, tentou convencer os parentes a financiar o que ele considerava uma mujajidin, a guerrilha em nome da fé, já que os soviéticos haviam invadido um território islâmico.
Na causa muçulmana ele encontrou sua razão de viver sabe porquê? Porque o principal motivo que leva alguém a ser um terrorista é a necessidade de ser aceito por um grupo, de ser reconhecido como alguém especial e esquecer de uma vez por todas o estigma de: o filho da escrava.

A partir daí, Osama dedicou-se de corpo e alma à “guerra santa” contra os soviéticos. Sua primeira medida foi estabelecer uma base para guerrilha do Paquistão. O milionário desembolsava fortunas para a compra de armas e para o sustento dos guerrilheiros. Ironicamente, um dos principais financiadores do terrorismo eram os Estados Unidos. A CIA gastou simplesmente US$ 10 bilhões em dez anos de conflito, ótimo não é verdade para os interesses norte-americanos? Sim, com esse financiamento, Bin Laden construiu seis campos de treinamento no Afeganistão e melhorou ainda mais sua rede de informações, principalmente a Paquistanesa.

Bin Laden fazia um dossiê de entradas e saídas em sua base militar. O complexo  do terrorista ganhou o nome de Al Qaeda, que significa “a base”.
Até então Osama estava se divertindo, mas seus gracejos bélicos acabaram em 1989, após “acordos de paz” entre União Soviética, Estados Unidos, Afeganistão e Paquistão. Este acordo o fez retornar para a Arábia, mas não desistiu da guerrilha.

Osama e os norte-americanos

A ira de Osama contra os Estados Unidos começou a dar as caras quando o ditador do Iraque, Sadam Hussein, invadiu o Kuweit, em 1991. Com a experiência adquirida no Paquistão, ele escreveu uma carta ao rei saudita sugerindo em detalhes como proteger o país de uma eventual invasão iraquiana e voluntariando-se para defender o país.
Nem recebeu resposta. E pior: além de recusar sua ajuda, a Arábia Saudita aceitou a mão dos americanos. Bin Laden ficou furioso.
O resultado era de se esperar: começou a se articular com clérigos fundamentalistas e ativistas muçulmanos.

Acompanhe a trajetória...

Conseguiu uma fatwa, um pronunciamento legal feito por um religioso convencendo aos fiéis a aderirem ao treinamento guerrilheiro no Afeganistão; uma horda de 4 mil pessoas cruzou a fronteira, seguindo o líder Bin Laden, obviamente o governo saudita não ficou satisfeito com a atuação de Osama.
Depois disso, ele começou uma verdadeira peregrinação por alguns países: Paquistão, Afeganistão, e finalmente zarpou para o Sudão onde estabeleceu uma nova base de operações para disseminar a filosofia islâmica.
Após o fim da Guerra do Golfo, os Estados Unidos deixaram bases de forças permanentes na Arábia Saudita, o que não agradou militantes islâmicos antigoverno, incluindo Bin Laden, que continuava a manter seus campos de treinamento de guerrilheiros.

Os ataques terroristas não tardaram a acontecer. O primeiro foi em 29 de dezembro de 1992, quando o Gold Mihor Hoter voou pelos ares. O alvo era um grupo de soldados americanos hospedados ali. Os guerrilheiros derrubaram a porta errada. Os inimigos tinham partido duas semanas antes do previsto para a Somália. Em 1993, o World Trade Center, o símbolo do imperialismo americano, sofreu seu primeiro ataque, com seis mortos.
O terrorista Ramzi Yousef, responsável pelo ato, tinha uma estreita ligação com o milionário saudita, de acordo com a CIA.

Em 1994 a Arábia Saudita cancelou a cidadania de Osama. Ele respondeu bem ao estilo terrorista: um carro-bomba em Riad, em 1995.
O Sudão foi pressionado internacionalmente a não dar mais abrigo a Bin Laden, ele então voltou para o Afeganistão de onde divulgou sua primeira mensagem antiamericana: uma declaração de guerra com 12 páginas.

Osama Bin Laden , 11 de setembro e o orgulho ferido norte-americano

Como todo mundo sabe, o xeque-mate de Osama Bin Laden contra os norte-americanos aconteceu no dia 11 de setembro de 2001.
A idéia de seqüestrar aviões civis e jogá-los contra alvos fixos já circulava na Al Qaeda havia seis anos.

Dezenove muçulmanos, entre eles 15 sauditas, foram escolhidos para a missão. Alguns tiveram aula de aviação no próprio território americano, veja que interessante.

Os preparativos para o ataque custaram entre US$ 400 mil e 500 mil.

O show de horror, transmitido ao vivo pela televisão, lembro-me muito bem que o jornalista Carlos Nascimento narrou o ocorrido de forma dramática e meio que sem acreditar no que estava acontecendo, afinal de contas o pontapé inicial do século XXI foi esse atentado e inaugurou um novo momento na história das guerras, pois os conflitos não são mais entre nações, mas entre países e grupos terroristas.

Observe também que a popularidade de George W. Bush estava em franca decadência, e tem mais... Seu pai foi um puro financiador de guerras.
O governo ianque, ou seria melhor dizer o orgulho ianque foi atingido em cheio pelo atentado aos espigões, e até mesmo no Pentágono, um projeto em que foi empreendido uma série de esforços arquitetônicos, que pelo visto não deu muito certo.

O orgulho norte-americano foi ferido à ferro e fogo, ou seria melhor dizer, a turbinas e gritos horrorosos de pavor? Pois o governo não está preocupado em respeitar a memória dos que foram limados de uma vez por todas desta geração, mas estão preocupados em manter a pose elitista e conceitual do American Way of Life e a sustentar as doutrinas do Destino Manifesto.

Religião e poder realmente não podem e não devem andar juntos, jamais.

Abraço e até a próxima.


Referência bibliográfica:



  • Em nome de Deus. O Fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo - Armstrong, Karen. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
  • O Islã - Armstrong, Karen. São Paulo: Objetiva, 2001.



 


Karen Amstrong, uma das principais autoridades em história das religiões destrincha de forma clara a questão do fundamentalismo religioso e desfaz o mito de que se trata de um fenômeno medieval, lembrando que, na verdade, ele surgiu no século XX - quando os movimentos religiosos tiveram de ser confrontados com o racionalismo moderno.
Armstrong constrói uma obra indispensável a quem deseja compreender o impacto do fundamentalismo sobre a economia, a política e a sociedade em geral. Leitura obrigatória aos amantes da história.
  

22 de outubro de 2010

TAPA NA CARECA DO "ZÉ".


Devido a questões de ordem técnica a postagem sobre 11 de setembro será adiada...

Isso não diz respeito ao fator tempo, mas ao processo eleitoral que até então tem se mostrado cômico.
Exatamente, comicidade, esta é a palavra que define o ritmo de campanha neste segundo turno.
Cito comicidade obviamente não me referindo à candidata Dilma Roussef, mas ao candidato tucano.

José Serra realmente está passando dos limites...

Sua caminhada à presidência é um verdadeiro martírio... coitado do candidato, uma simples bolinha de papel o fez marcar com o seu médico uma tomografia, sim, segundo o próprio José Serra, ele irá fazer esse exame (ontem mesmo assisti sua entrevista em um desses telejornais).

Não que eu seja a favor do ocorrido, mas sinceramente, a um ar que exala conspiração, e o pior, um ar de desespero gigantesco sem disfarces e que permite que a sociedade venha corroborar a péssima atuação não só do próprio candidato, assim como, do PSDB e definir de uma vez por todas quem é quem nesta história...

Segundo a assessoria de Serra, o candidato não se feriu.

Um pastor da Assembléia de Deus do Poder e Glória viu o momento do incidente. São tantos nomes esquisitos não é verdade? Vou escrever uma postagem sobre como é fácil criar um templo e as benesses que os pastores ganham ao criar “casas” de Deus...

Mas como estava me referindo ao pastor Paulo César Gomes, ele estava presente e afirma com todas as letras, que José Serra foi atingido e que inclusive estava o abraçando no momento “fatídico”.

A questão é que o presidente Lula fez uma comparação plausível e que não deixa de ser interessante do ponto de vista analítico.

O presidente comparou o fato, com a atitude do goleiro da seleção chilena de futebol Roberto Rojas, que em 1989 simulou um ferimento no Maracanã.
Rojas fez um corte no próprio supercílio, fingindo ter sido atingido por fogos de artifício. Resultado: foi desmascarado por fotos que mostravam que o rojão havia caído longe dele.

Dirigente do PT diz lamentar o ocorrido

O secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo, disse lamentar o incidente, mas afirmou que o partido não estimula a violência.
"Eu lamento o incidente. Isso não é bom. Em momento algum o nosso partido incentiva esse tipo de ação. Agora, essa campanha instiga o ódio e isso não parte de nós. Infelizmente, foram eles que começaram essa campanha de ódio. Mas somos contra qualquer ato de violência e não aceitamos ações como essa".

17 de outubro de 2010

"Santa" Ignorância...






Leitores, há quanto tempo não é verdade? Pois muito bem, estava de férias, aperfeiçoando meu trabalho na área de design e claro, como não poderia deixar de ser: garimpando temas para próximas postagens.

O tempo é bastante escasso, mas farei o possível para escrever com mais frequência, a questão é que não quero e nem devo escrever qualquer artigo... vocês não merecem isso.

Pois muito bem, esta postagem será relâmpago. 

Esta é a charge que o cartunista Alpino traça de forma bastante sagaz o episódio onde o bispo Luiz Gonzaga Bergonzini encomenda folhetos anti-Dilma.

Ainda temos que conviver com isso, meu Deus, que "Santa" Ignorância...

Isso tudo porque Dilma Roussef destrinchou e porque não estraçalhou certos conceitos que a sociedade brasileira não está preparada para discernir sobre a temática: aborto.

Um tema espinhoso como esse requer no mínimo doses cavalares de bom-senso, e o que os tucanos mais querem é uma abertura mínima para atacar da forma mais voraz e sem escrúpulos e abocanhar de vez a presidência (que Deus nos livre).

Não merecemos os fantasmas tucanos a nos assombrar de forma incessante e indigna.

Ontem mesmo José Serra esteve aqui em minha "terrinha da luz", mais precisamente em Canindé, propagando aos quatro ventos suas ideologias vergonhosas e lançando base da fé alheia como trampolim político, engraçado: de uma hora para outra virou devoto de São Francisco de Assis... que "fail".

O que estamos vivenciando é uma vergonhosa disputa política, onde as ideologias e plataformas não passam de meras conjecturas fantasiosas e políticos sem espinha dorsal.

E Marina Silva... nossa, lembro muito bem que li no Jornal O Povo que ela disse a seguinte frase: "perco a cabeça, mas não perco o juízo".

Pelo visto, perdeu não somente o juízo, mas sim uma grande oportunidade de dar continuidade a um trabalho em que a popularidade do presidente não deixa mentir.

Vamos dar um basta nesses usurpadores e caciques do Senado federal, chega de parasitas em nossa "pele de cordeiro" desfrutando do erário sem impedimentos, da atuação vergonhosa dos ministros do STF (e o mais engraçado, aliás o mais revoltante é que, o que se julgava mais resignado e disposto a agir conforme os padrões éticos está com uma pilha de processos e foi flagrado bebendo em um "barzinho"... vocês sabem de quem estou falando).

Lembrei-me de Clodovil Hernandes, que argumentou em uma de suas entrevistas à revista Veja a seguinte expressão: BRASÍLIA É UMA VACA PROFANA ONDE TODOS QUEREM MAMAR, SEM ESCRÚPULOS E COM OSTENTAÇÃO!

Podemos renovar o cenário político nacional, basta lembrar no último dia 3 de outubro que algumas oligarquias jurássicas saíram de cena: uma foi a do Fernando Collor de Melo em Alagoas e a outra do agora ex-senador Tasso Jereissati no Ceará que diga-se de passagem nunca havia perdido uma eleição. 

Sei que o chauvinismo masculino, ou em melhores palavras, o machismo ainda impera em muitas regiões do país, mas basta observar o exemplo de outros países que foram liderados por mulheres, citar a Alemanha que é um país desenvolvido e tem como chanceler Angela Merkel seria injustiça... mas cito um país emergente: Chile.

Michele Bachelet era o nome da presidente do Chile e promoveu uma série de mudanças e fomentou cada vez mais sua estrutura socioeconômica com base em conceitos sociais e de desenvolvimento em larga escala, sem contar que a história de Michele Bachelet assemelha-se com a história de Dilma Roussef, foi torturada na época dos regimes militares na américa latina e lutou por ideais sólidos e atuantes nas diversas esferas sociais, no caso o presidente naquele período era Pinochet e aqui era o Médici...

Renovação, essa é palavra que precisamos para o cenário político.

Abraços e até a próxima postagem sobre o atentado as torres gêmeas (WTC). 

POST: 11 de Setembro - Mais uma teoria da conspiração?

9 de setembro de 2010

Petróleo e o desastre ambiental no Golfo do México – caminhos tortuosos.


Vídeo de 26/04/2010

A tragédia ambiental começou há exatos 4 meses e se instaurou no Golfo do México com um derramamento de petróleo assustador, sendo determinante para caracterizar este incidente como um dos maiores desastres ambientais da história.
Estava estampado no dia seguinte à tragédia nos jornais do mundo inteiro e obviamente devido à gravidade da situação, não se falava de outra coisa a não ser da mancha de petróleo que se alastrava a passos largos e dos possíveis desdobramentos desta história que teima em não ter fim.
O vídeo acima relata que a mancha chegou a alcançar o tamanho da Jamaica. Uma situação de proporções surpreendentes que não está em jogo somente a tragédia pura e simplesmente anunciada, mas a vida marinha que ali está presente.
Para relembrar algumas notícias que foram veiculadas nas principais mídias, recorri ao site da BBC Brasil que no dia 26 de abril relatou o ocorrido da seguinte maneira:
A explosão de uma plataforma de petróleo em frente à costa americana, na semana passada, e o subsequente vazamento de cerca de mil barris de petróleo por dia no mar podem provocar um desastre ambiental, segundo autoridades.
Os esforços de limpeza do óleo em frente à costa da Louisiana foram suspensos nos últimos dois dias por causa do mau tempo na região e a mancha no mar já chega a 1.500 quilômetros quadrados.
Onze funcionários da plataforma – que era operada pela BP - continuam desaparecidos e acredita-se que eles tenham morrido no acidente. Mais de cem funcionários foram resgatados.
A plataforma Deepwater Horizon explodiu na terça-feira passada e afundou na quinta, depois de ficar dois dias em chamas.
Segundo as autoridades locais, o vazamento de óleo - de quase 160 mil litros por dia - tem potencial para danificar praias, ilhotas e manguezais na costa da região.

A plataforma realizava perfurações exploratórias 84 quilômetros ao sudoeste de Venice, na Louisiana, quando ocorreu a explosão.
A BP está usando um submarino robô para tentar fechar válvulas no poço e acabar com o vazamento, mas a tarefa é extremamente complexa e pode não ser bem sucedida, disseram fontes da BP à agência de notícias Reuters.
A empresa também acionou mais de 30 navios e vários aviões para espalhar agentes dispersantes sobre a mancha de óleo, mas os esforços foram suspensos no fim de semana por causa do mau tempo.
Por enquanto, as condições meteorológicas estão mantendo a mancha distante da costa e especialistas esperam que as ondas ajudem a "quebrar" a mancha, permitindo que o óleo endureça e desça para o chão do oceano.
Prioridade
Inicialmente, a guarda costeira acreditava estar lidando apenas com um vazamento residual na superfície, mas depois constatou que havia óleo vazando de canos a 1.500 metros de profundidade.
No ano passado, a BP foi multada em US$ 87 milhões por não ter melhorado as condições de segurança depois de uma enorme explosão que provocou a morte de 15 pessoas em uma refinaria na cidade do Texas.
O Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos tinha realizado inspeções de rotina na plataforma Deepwater Horizon em fevereiro, março e abril deste ano, sem encontrar nenhuma violação às normas de segurança.
A causa da explosão ainda não foi identificada.
Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que seu governo está oferecendo “toda assistência necessária” para o resgate e para os esforços de limpeza na região.
Ele descreveu a crise na plataforma operada pela BP como a “prioridade número um” de seu governo.
(BBC Brasil – 26/04/2010)

Deu para perceber segundo a reportagem acima que a situação é crítica. Segundo o presidente norte-americano Barack Obama, o vazamento é o 11 de setembro do meio ambiente.
Pois então a partir de agora iremos conhecer os desdobramentos e o jogo de interesses por trás do “ouro negro” conhecido como petróleo: como foi seu processo de obtenção, qual sua importância e principalmente como a obtenção desta riqueza natural mudou os rumos da história.

A formação do “ouro negro”.

No final da década de 50, quando os geólogos apresentaram a revolucionária teoria das placas tectônicas, já havia sido encontrada a metade de todo o petróleo existente na Terra que o homem poderá utilizar.
A nova teoria, que apresenta a camada externa da terra com uma espessura entre 50 e 150 quilômetros, dividia em placas que se movimentam vagarosa, mas incessantemente, acabou se tornando um facilitador desse trabalho, ou seja, a compreensão geológica torna mais fácil descobrir onde o petróleo se encontra.
Devido ao seu grande poder comercial, não foi à toa que o petróleo se tornou motivo de guerras e revoluções, fonte de riquezas e degradação ambiental, eis o motivo principal deste texto.
Desbancando o carvão, ele logo se tornou o principal combustível que mantém em movimento a sociedade industrial moderna, com suas fábricas, cidades iluminadas, e cada vez mais frotas de navios, aviões e automóveis correndo de um lado para o outro.
Descrito sumariamente ele é uma substância, quase sempre em estado líquido, constituída de cadeias de átomos de carbono e hidrogênio, um hidrocarboneto.
Forma-se na natureza por meio da separação de moléculas orgânicas comuns, citadas na maioria dos rótulos de alimentos que compramos nos supermercados: ácidos graxos, açúcares, proteínas, carboidratos.
Qualquer forma de vida pode fornecer estes ingredientes para nossa formação, mas o fitoplâncton que é uma planta unicelular aquática é de longe a fonte mais abundante.
Para que o petróleo se forme é necessário que o fitoplâncton fique enterrado sob espessas camadas de rocha, com muito calor. As moléculas de ácidos graxos e de substâncias semelhantes são robustas, e podem permanecer inalteradas na rocha por milhões de anos.
O calor do planeta, contudo, consegue acelerar seus átomos e romper suas ligações químicas, permitindo a transformação.
A temperatura da camada externa da crosta terrestre aumenta cerca de 1 grau a cada 30 metros de profundidade, agora imagine a 3000 metros.
Quando chega a esse estágio de 3000 metros ela já é suficientemente alta para dar início à transformação das substâncias químicas orgânicas originárias do fitoplâncton.
Não muito mais abaixo, contudo, a temperatura atinge níveis tão altos que as próprias moléculas de petróleo começam a se separar.
Mas para encontrar vultosas reservas é necessário suar a camisa, pois não basta procurar em locais onde sedimentos ricos em matéria orgânica jazem a cerca de 3000 metros de profundidade.
Em sua fase inicial de formação, o petróleo constitui-se de gotículas dispersas cuja exploração é inviável. Ele só será aproveitável quando essas gotículas se juntarem em enormes volumes.
À medida que a pressão aumenta, o óleo é espremido para fora da formação rochosa.
Como naquelas profundidades não existem grandes buracos ou túneis através dos quais possam se movimentar, as gotículas escoam por uma rede de poros e fissuras microscópicas. Quanto maiores as aberturas, mais facilmente o petróleo viaja, mas o ritmo do movimento é sempre arrastadamente vagaroso, e pode ser medido em poucos centímetros ao ano.
Como ele é mais leve do que a rocha e a água que ali existem, consegue elevar-se airosamente à superfície, ou movimentar-se lateralmente em direção aos pontos de menor pressão, até ficar preso sob uma camada de rocha impenetrável.
Se a camada abaixo dessa espécie de tampa for porosa, pode funcionar como uma esponja e encharcar-se de petróleo.
Somente quando chega a uma estrutura geológica desse tipo ele se torna um recurso útil para os interesses humanos. Rochas subterrâneas em muitas configurações diferentes podem armazenar petróleo; mas quase tudo que se conseguiu explorar, até hoje, estava em formações curvas ou em forma de cúpula, chamadas anticlíneos, no jargão geológico.
Gerações de geólogos dedicados à pesquisa de reservas petrolíferas utilizaram mapeamentos geológicos de superfície e sondagens sísmicas para detectar esses anticlíneos.
E aí o conhecimento da teoria das placas tectônicas foi providencial: elas explicam como esses anticlíneos estão distribuídos. As placas terrestres movimentam-se na mesma rapidez em que crescem as unhas dos nossos dedos, mas seus efeitos são suficientemente poderosos para provocar grandes terremotos e dar origem a vulcões e cordilheiras.
A maioria dos depósitos está associada às áreas para onde convergem as placas. As enormes reservas do Oriente Médio encontram-se perto da zona de colisão entre as placas árabe e eurasiana. O petróleo ao norte da Cordilheira Brooks, no Alasca, e a leste dos montes Urais, na Rússia, resulta da convergência de placas da crosta terrestre.
Os campos petrolíferos ao longo das costas brasileiras e nigeriana do Oceano Atlântico, entre Bretanha e Noruega no Mar do Norte, ou ao largo da costa da Líbia do Mediterrâneo, são todos resultados de fendas continentais. Anticlíneos e outros ambientes favoráveis à formação de petróleo também podem se formar em regiões em que as placas deslizam umas por cima das outras, como ocorre na falha de San Andreas, na Califórnia, mas essas ocorrências são raras.

A jornada do petróleo nos Estados Unidos

A história do petróleo nos Estados Unidos começa de forma factual em 1854 quando o professor de química Benjamin Silliman (1779-1864), da Universidade de Yale, empenhou-se num projeto de pesquisa do ‘óleo de pedra’, sobre o qual ele declarava que teria um futuro grandioso para a humanidade.
Silliman sabia do potencial comercial que o produto poderia alcançar e acreditava que, se o fosse extraído em grande quantidade poderia ser usado na iluminação de grandes cidades que começavam a se formar nos Estados Unidos: Nova York, Boston, Filadélfia, Detroit, entre outras, além de lubrificar as engrenagens das primeiras máquinas da Revolução Industrial. Este óleo funcionava também como combustível para ascensão social e seus sonhos de progresso.
Após algum tempo, em 1855 seus esforços acabaram concentrando-se nos mananciais perto do córrego Oil, no nordeste da Pensilvânia, um pouco abaixo do lago Erie. Silliman estava confiante de que existia uma boa reserva subterrânea do tal óleo naquelas redondezas.
Bem ao estilo capitalista de condução de pesquisas científicas, para transformar o resultado num produto comercial com ótima aceitação, lembrando que os contemporâneos do petróleo foram a luz elétrica do norte-americano Thomas Edison (1847-1931), patenteada em 1880, e o telefone, do escocês Alexander Graham Bell (1847-1922), patenteando o método de transmitir vozes e outros sons telegraficamente em 1876. Pois muito bem, Silliman criou um empreendimento chamado Pennsylvania Rock Oil Company. No entanto, ele sabia apenas qual seria o valor do óleo e como refiná-lo. Faltava-lhe dinheiro para comprar equipamentos, contratar pessoas e começar a abrir buracos no solo.
Para resolver este impasse nada melhor do que a figura de um advogado não é verdade?
E nesse cenário surgiu a figura de George Bissel, um advogado de Nova York.
Bissel, convencido pela capacidade científica de Silliman, não hesitou em injetar dinheiro na empreitada, e tornou-se o responsável pela execução operacional do projeto.  Ele contratou um certo Edwin Laurentine Drake (1819-1880), que era um maquinista aposentado, para conduzir a execução do projeto.
E Drake não foi contratado à toa, Bissel conhecia a fama de Drake, possuidor de uma perseverança nata, daqueles homens que movem montanhas para concluir uma missão.
Drake fez diversas viagens à região do córrego Oil, arrendou o maior terreno possível, para evitar a presença indesejável de futuros concorrentes e contratou empregados para perfurar o solo.
Um certo dia um grupo desses operários se manifestou com ironia quanto à proposta de Drake: ‘Broca para petróleo? Você quer dizer, furar o chão para encontrar petróleo? Você está louco.’
Por sorte, Bissel acertou na mosca quando contratou Drake. Um homem com menos ‘força de espírito’ teria logo se acovardado diante das dificuldades.
Agora questiono: e não são as dificuldades em lidar com o ser humano as maiores do mundo?
No entanto o tempo foi passando, e após o outono de 1858, Drake sabia que tinha que mostrar resultados para Bissel no prazo máximo de um ano. Como o inverno de 1859 já se aproximava, era sabido que as escavações manuais não chegariam a lugar algum em pouco tempo.
Foi quando Drake resolveu parar os trabalhos por um curto tempo para pesquisar e criar uma invenção que atravessasse o solo com boa profundidade.
Seu período de ócio criativo por assim dizer produziu um bom resultado: conseguiu idealizar uma máquina a vapor que conseguia prover energia suficiente para fincar pontas de metal no solo e afundá-las. Porém, as pontas de metal não resistiam à pressão.
A sorte favoreceu-lhe um encontro com o ferreiro William A. Smith, que motivado pelo desafio de criar as brocas mais resistentes de que já tinha tido notícia, desenvolveu ferramentas especiais para perfurar o solo.
Aliando as duas invenções, Drake chegou na tarde de 27 de agosto de 1859 (mais tarde proclamado o Dia de Drake, em Titusville), a 21 metros de profundidade. Tratava-se de um buraco profundo demais para a época, bem superior às ‘carícias’ feitas na superfície para coletar o óleo que brotava. Foi o suficiente para atingir uma reserva que permitia o bombeamento do produto.
Em 15 meses de operação, já havia cerca de 75 poços perfurados, e em plena atividade. A produção elevou-se de 450 mil barris por ano nos Estados Unidos, em 1860, para 3 milhões, em 1862.
Tudo parecia caminhar bem, mas Silliman, Bissel e Drake não eram empresários.
Acabaram perdendo todo o dinheiro ganho com sua invenção e a Pennsylvania Rock Oil Company foi vendida para John Davison Rockefeller (1839-1937), o precursor do sucesso do clã Rockefeller, transformando-se na Standard Oil of New Jersey.
Rockefeller, a figura mais importante da formação da indústria do petróleo, viveu quase um século inteiro, de 1839 a 1937, e sempre foi um mercantilista desde cedo, por orientação de seu pai.
A Standard Oil of New Jersey tornou-se rapidamente uma verdadeira potência nos Estados Unidos, gerando matéria-prima para a iluminação do país, exportando-a para a Europa e mais tarde substituindo o reinado do carvão nas máquinas a vapor da Revolução Industrial. Em poucos anos, Rockefeller controlava 90% da capacidade de refino dos Estados Unidos, fazendo com que os preços fossem ditados por sua empresa, caracterizando assim uma truste.
Porém, em 15 de maio de 1911, a Standard Oil of New Jersey foi alvo da primeira ação judicial antitruste dos Estados Unidos, sendo desmantelada em 33 sociedades, cujo objetivo consistia em evitar o monopólio, mais ou menos o que alguns Estados norte-americanos e alguns países europeus tentam fazer atualmente com a Microsoft de Bill Gates.
A empresa de “lord Feller” foi acusada de infringir as regras sacrossantas da concorrência e acabou dando à luz a duas novas companhias além da própria Standard Oil, que permaneceu no mercado: a Standard of Califórnia, mais conhecida como Chevron e a Mobil.
A empresa de “lord Feller” é chamada nos Estados Unidos atualmente de Exxon, sendo difundida no mundo inteiro pela marca Esso.
Desde a viabilização do processo de perfuração do solo para obtenção do petróleo, diversas companhias, grandes ou pequenas, procuravam por jazidas em todo o mundo. Ainda nos Estados Unidos, o Texas mostrou-se uma ótima reserva petrolífera. Assim surgiram a Texaco e a Gulf Oil, em 1901.

As sete irmãs

A indústria do petróleo como vimos teve pedra fundamental lançada nos Estados Unidos. Ainda no século XIX, surgiu a primeira empresa de grande envergadura, a Standard Oil of New Jersey, do clã Rockefeller como citei.
Após um meteórico crescimento que abalou a economia norte-americana, o governo decidiu desmembrá-la, num processo que durou uma década e deu lugar a uma disputa judicial que só foi finalizada em 1911.
Desse desmembramento a Standard of Califórnia (atual marca Chevron) e a Mobil, mantiveram uma parte da Standard Oil of New Jersey na ativa, chamada Exxon.
Tais companhias já nasceram grandes e não tiveram dificuldades para dominar o mercado mundial. Deram-se ao luxo de compartilhá-lo com a Royal Dutch (Shell), resultante da fusão de uma empresa holandesa com um investidos inglês, destinada a atuar nos mercados europeu e asiático.
Surgiram também a Texaco e a Gulf, empresas que dominavam a produção de petróleo no Texas, México e Venezuela.
Essas empresas refinavam e distribuíam o petróleo para os Estados Unidos e Inglaterra, de onde era exportado para os demais países do mundo.
Percebam que estava caracterizado um cartel do qual não havia saída, e que ficou conhecido como ‘As Sete Irmãs’, formado pelas empresas Exxon, Chevron, Mobil, Gulf, Texaco, Shell e a estatal inglesa, a vilã desta história British Petroleum, mais conhecida como BP.
As multinacionais concentravam seus esforços nas bacias geológicas que apresentavam histórico de grandes reservas de petróleo e que se localizavam em países onde obtinham concessões: Venezuela e Oriente Médio. Quem se aventurasse em outras regiões não teria apoio tecnológico e seria obrigado a lutar com os riscos sozinho.    
Resumidamente, o mercado tornou-se dominado por tais multinacionais, ocasionando o asfixiamento das economias de centenas de países, seja pela falta de produtos refinados e pelos altos preços a que viam-se obrigados a pagar, seja pelos baixos ganhos dos outros países exportadores de petróleo.  
       
Mais uma explosão no Golfo do México – 02/09/2010
Uma explosão em uma plataforma de petróleo no Golfo do México nesta quinta-feira deixou uma mancha de óleo de cerca de 1,6 km de extensão nas proximidades da costa do Estado americano da Louisiana, segundo a Guarda Costeira dos EUA.
Treze trabalhadores que estavam no local teriam sido jogados ao mar. No entanto, enquanto a Guarda Costeira informa que um deles está ferido, a empresa que opera a plataforma, Mariner Energy, declarou que todos foram resgatados e estão bem.
O local da explosão fica 320 km a oeste da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu em abril lançando milhões de barris de óleo no Golfo do México, no maior desastre ambiental da história dos EUA.
No caso da Deepwater Horizon, o petróleo não vazou imediatamente, e sim dias depois, quando um cano foi rompido. Mais de 5 milhões de barris de petróleo se espalharam no Golfo após o incidente.
A explosão desta quinta-feira ocorreu às 9h20 da manhã, horário local (11h20, em Brasília), segundo a Guarda Costeira, que foi alertada por um helicóptero que sobrevoava o local.
A plataforma Vermilion Block 380 não estava produzindo petróleo e gás, mas sete poços em funcionamento operados pela Mariner Energy ficam próximos ao local em chamas, informou o repórter da BBC na Louisiana, Rajesh Mirchandani. A empresa negou inicialmente que houvesse vazamentos no local.
A Guarda Costeira enviou helicópteros e navios ao local para investigar a dimensão dos danos.

Mundo sem petróleo – uma utopia?

Cerca de 90% da energia consumida mundialmente na atualidade é do tipo fóssil, e somente o petróleo responde por 40% do total. O antigo ‘óleo de pedra’ se forma a partir da decomposição bacteriológica de organismos aquáticos, lembro que falei a respeito no início do texto, o chamado fitoplâncton.
Dos combustíveis fósseis, o petróleo é o que mais interessa às indústrias refinadoras, pois além de combustível ou matéria-prima para a indústria petroquímica e poderosa arma política, é fator determinante no desenvolvimento das sociedades.
É preciso lembrar caros leitores que as primeiras sociedades complexas se formaram no Oriente Médio, enquanto o homem europeu ainda saía das cavernas. Os primeiros registros da escrita foram desenvolvidos nessa mesma região. E desde cedo, os países que ali se encontravam, enfrentam guerras, seja entre facções rivais internas ou contra invasores. O próprio russo Pedro, O Grande (1672-1725), já havia preconizado: ‘Aquele que dominar ali, será o senhor do mundo.’
Mas nem por isso o Oriente Médio, responsável por 70% de todas as reservas de petróleo do mundo, é uma região desenvolvida. Outrora parte do poderoso Império Otomano, fragmentado entre 1800 e 1923, dando origem aos países que hoje se apresentam, como Iraque, Kuait, Pérsia  que é o atual Irã em que um certo senhor chamado Marmud Armadinejad coloca o mundo em constante estado de alerta dita as ordens.
Mas o que é visível aos nossos olhos quando constatamos nos noticiários é que o Oriente Médio apesar de ser o detentor de boa parcela do ouro negro, parou no tempo.
O ouro negro, do qual Alá foi generoso o bastante para transformar toda uma região árida, numa das mais ricas do mundo, intoxicou governantes e aproveitadores em geral, que gastaram imensas fortunas mantendo o secular padrão de vida dos xeques, em vez de melhorar as condições de vida das populações locais.
O petróleo juntamente com ações comerciais proporciona poder, mas ao mesmo tempo tragédias monumentais como foi o caso do ocorrido no Golfo do México e que põe em questão a preservação da vida de maneira geral não somente à marinha, mas ao complexo ecossistema que nos habituamos a estudar nos livros de biologia e que cotidianamente está ameaçado. É uma caso a se pensar com seriedade, até a próxima postagem: ESPECIAL 11 DE SETEMBRO – 9 anos. 


Indicação de filme: Sangue Negro *****

Resenha:







Daniel Plainview (Daniel Day Lewis) e o seu filho são caçadores de petróleo que perfuram poços na califórnia no inicio do século XX. O pano de fundo do filme é o confronto entre Plainview e um jovem pastor, Eli Sunday (Paul Dano).
Quando Manohla Dargis, crítica de filmes do THE NEW YORK TIMES disse que Sangue Negro é ”Um pesadelo épico, expelindo fogo, enxofre e maldição das profundezas do inferno” ela não estava brincando, o filme não tem final feliz, não tem sentimentos, é brutal, decadente e cru do início ao fim, atualmente esta faltando finais felizes no cinema, alguns acham isso ruim, mas mesmo quem acha isso ruim,não pode tirar o mérito de clássico de Sangue Negro, talvez o mais brutal dentre essa nova safra de filmes.
A fotografia do filme é outro ponto a ser notado, com cenários que visam dar uma dimensão de um deserto intocado é de arrepiar. O confronto entre Plainview e Sunday (Daniel Day Lewis e Paul Dano) um verdadeiro duelo de gigantes, só não se compara com um confronto entre o bem e o mal, por que nesse local não existe mocinhas, não existe fracos, esperança, nem heróis ali há um confronto de ”mal contra mal”.
A trilha sonora feita por Jonny Greenwood (Guitarrista da banda Radiohead) é tenebrosa e totalmente pós – moderna e sem ela o filme não seria a mesma coisa, falando em pós – modernidade, Sangue Negro talvez seja o primeiro grande clássico do cinema pós moderno atual.
É um dos filmes mais completos já feitos e afirmo aqui que daqui a alguns anos ele será consagrado como um dos maiores clássicos do cinema americano. Filme espetacular.



Oscar 2007



Venceu nas categorias de Melhor Ator Principal (Daniel Day-Lewis) e Melhor Fotografia (Robert Elswit).
Indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Edição de Som.





Ficha técnica: 


Título Original: There Will Be Blood 
Gênero: Drama
Duração: 158 min. 
Ano: EUA - 2007
Distribuidoras: Paramount Pictures/Miramax Films/Buena Vista International 
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson, baseado em livro de Upton Sinclair


Related Posts with Thumbnails