BRASÍLIA NASCE NO CERRADO - "É UMA TORRE PARA SE CONTEMPLAR O BRASIL"


'Eu me lembro até com uma certa saudade, naquele tempo (...),  a terra vazia, sem nada, e a gente a trabalhar (...) e ele, Juscelino, a nos levar para correr os canteiros, isso altas horas da noite (...). E assim Brasília se realizou graças a ele, ao seu entusiasmo, graças a sua boa vontade'. Oscar Niemeyer in Forma e Fundação na Arquitetura.

Brasília nasceu com mística própria. A profecia de São João Bosco já anunciava sua construção no "coração do país", a 15º de latitude sul. A tradição histórica evocava José Bonifácio, o Patriarca, que queria levar a capital para o interior, em "sítio sadio, ameno e fértil".
Um vago projeto de mudança da capital foi inscrito na Constituição de 1891 e tornou-se apenas um intrigante círculo assinalados nos mapas escolares.
O longínquo e romântico desafio não inspirava os governantes. Mas, para Juscelino, Brasília tornou-se um objetivo prioritário, a meta-síntese de seu Programa de Metas, e também um compromisso pessoal assumido em Jataí (GO) em um comício de sua campanha eleitoral. Eleito presidente, JK encaminhou, a 18 de abril de 1956, mansagem ao Congresso, e, a 19 de setembro, foi sancionada a Lei 2874, que autorizava o Executivo a tomar providências para a construção.
A primeira delas foi a criação da Novacap - Cia. Urbanizadora da Nova Capital, presisida por Israel Pinheiro. Na ocasião JK afirmava que passaria a presidência a seu sucessor já em Brasília.

Um ano mais tarde, foi fixada a data de 21 de abril de 1960 para a transferência da capital. Juscelino apresentou Brasília como um fato consumado, que passou a ser tratado na dinâmica de três questões principais: impacto de uma concepção de urbanismo, aliado a uma arquitetura arrojada, originalidade e independência na captação de recursos, e urgência na construção de estradas. Este último ponto era decisivo. Brasília não poderia isolar-se no "berço esplêndido" do planalto.
Para integrá-la ao país, rasgou-se "um cruzeiro de estradas", dos quatro pontos cardeais ao centro de Brasília, que "seria uma torre para se contemplar o Brasil". 
"Vamos arrombar esta selva", dizia JK ao engenheiro Bernardo Saião, que morreria em acidente de trabalho na Belém-Brasília.

Era época de pioneiros e desbravadores, que transformariam a área central do país. De 1955 a 1961, foram construídos 13619 km de rodovias federais, e pavimentados 7215 km. A multiplicação de rodovias acompanhou o êxito da indústria automobilística. Significava, também, uma política voltada para a fixação das populações que emigravam desordenadamente para os grandes centros.
Na retórica carismática de Juscelino, tratava-se de uma revolução de novo tipo, pelo desbravamento e pela integração. Seria a posse do interior, abandonado desde a saga dos bandeirantes e reconquistado pela modernização.
Seria um projeto nacional, para "liquidar com a sonolência de uma sociedade que parasitava ao longo das praias como caranguejos, ou como se quisesse ir embora".

Uma das frases de Oscar Niemeyer resumia seu projeto da seguinte maneira: "Espero que seja uma cidade de homens felizes, que sintam a vida em toda a sua plenitude".       
Pensando bem, a grande maioria dos políticos segue rigorosamente essa frase...


Indicação de leitura: Almanaque Nosso Século (é bom lembrar que essa coleção é raríssima, procure em sebos)


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