GRANDE DEPRESSÃO DE 1929.


'As ilusões caem uma após a outra, como as cascas de uma fruta, e a fruta é a experiência. Seu sabor é amargo; no entanto, ela possui algo acre que a fortifica'. 
Gérard de Nerval (1808-1855), Angélique.


Habitualmente, os acontecimentos globais mais significativos, aqueles que transformam as relações entre países, deturpam economias inteiras ou descaracterizam estruturas sociais, estão invariavelmente vinculados às guerras.
Os episódios bélicos, por exemplo a Guerra de Tróia, Queda do Império Romano, Queda de Constantinopla, Guerra dos Cem Anos (que por incrível que pareça não durou cem anos, vejam só, durou um pouco mais), Guerra dos Sete Anos, Grande Guerra, entre outras, destruíram impérios, ergueram novos soberanos, modificaram de forma avassaladora a geografia, criaram hordas de escravos, tudo isso com muito sofrimento.

Contudo, houve um fato na história da humanidade que definitivamente alterou o curso da história, sem derramamento de uma gota sequer de sangue: a Grande Depressão de 1929.
A desgraça que se abateu sobre o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, modelo de prosperidade para o restante do globo, gerou frutos imediatos e plantou sementes de um mal que floresceria anos mais tarde. Rapidamente o manto negro do desemprego cobriu toda a nação e o fluxo de transações comerciais, afetou as exportações da emergente América Latina, da velha e massacrada Europa e do ambicioso extremo Oriente.

Dessa forma uma crise que parecia ser localizada, alastrou-se como um câncer, cujas proliferação anárquica de células fez com que poucas peças de um organismo que funcionava tal qual uma engrenagem, causassem uma calamidade em escala mundial.

É sabido que o mundo já havia enfrentado outras crises, mas essa meus caros era diferente. Ela afetou a auto-estima das pessoas. Enquanto que numa guerra, ou até mesmo revolução como a Russa de 1917, existe um inimigo declarado e bem conhecido, durante a crise de 1929, o adversário era uma 'depressão econômica'. As pessoas passaram a caminhar de cabeça baixa, como se tivessem vergonha, ou medo, de viver. Verdade seja dita: viver naqueles dias tornou-se realmente um suplício. E pensar que tudo havia começado durante dias ensolarados de enriquecimento fácil...

Os Estados Unidos passaram a emprestar dinheiro aos demais países num fluxo alucinante, que depois retornava à América do Norte por meio das exportações dos produtos norte-americanos. A produção industrial havia crescido de maneira impressionante. Em 1929, um em cada seis norte-americanos tinha carro. na Europa, não considerando a União Soviética, a média era de um carro para cada grupo de 84 pessoas. Em menos de 30 anos, entre 1899 e 1927, a produção de aço, o melhor indicador de industrialização de um país, crescera espantosos780%. A indústria mecânica deu um salto de crescimento de pouco mais de 560%.

A maior siderúrgica do mundo, a US Steel, fundada por John Pierpont Morgan (1837-1913) e Albert Gary em 1901 operava no limite, a 100% da capacidade produtiva. O salário de um metalúrgico norte-americano era cerca de três a quatro vezes maior do que o contracheque de um trabalhador inglês ou alemão que desempenhasse a mesma função. 

A década de 1920 foi qualificada como 'os anos loucos'. A riqueza era a mola propulsora do capitalismo, tratava-se da cultura do prazer sem limites. Mas aos poucos essa cultura 'free' do hotmoney começou a desmoronar.

Fato é que nada acontece por acaso. A lei da física que afirma que para cada ação há uma reação pode ser aplicada em qualquer segmento, até mesmo na economia. A Crise da Bolsa de Valores de Nova York não foi uma fatalidade. Pequenos sianais de instabilidade já estavam sendo produzidos, porém, a tal bolha especulativa eclipsava alguns elementos vitais para que a iminência de uma catástrofe fosse detectada a tempo.

Em março de 1929 veio a primeira onda de pânico. Os bancos privados ficaram assustados com a quantidade de dinheiro emprestado com mínimas garantias de pagamento e decidiram iniciar uma política de recuperação de divisas, solicitando o pagamento antecipado das dívidas de seus clientes. O Fed, Banco ceantral norte-americano, também começou a achar a situação perigosa e decidiu elevar as taxas de juros, dificultando assim a concessão de empréstimos e reduzindo a atuação dos especuladores. O governo federal, da administração Hoover, não entrou no jogo entre banqueiros e investidores, acreditando que o mercado, usando a lei da oferta e da procura, reverteria a situação.

Antes que qualquer nova crise pudesse assolar o país, alguns sujeitos mais precavidos, cansados de brincar de roleta russa com o dinheiro, resolveram retirar suas economias da bolsa de valores. Entre eles pode-se citar Charles Chaplin, Al Capone e o magnata Bernard Baruch.

Karl Marx (1918-1883), pensador alemão, ideólogo do socialismo, afirmou que o sistema capitalista funciona por ciclos, que podem ser resumidos da seguinte forma: produção, superaquecimento, crise, depressão e recuperação. Como a natureza do capitalismo é gerar lucro, Marx concluiu que era impossível controlar a produção, ao contrário do sistema socialista, na qual o Estado detém os meios de produção para atender apenas as necessidades sociais.
A concorrência capitalista faz com que cada empresário deseje produzir mais, a preços menores, aumentando assim a receita. Trata-se de uma fórmula simples, mas de tempos em tempos, o aumento da produção causa a formação de excedentes que o mercado não tem condições de absorver.

Portanto o erro foi causado pelo único provável líder que poderia ter evitado o prolongamento da crise. Mesmo que a quebra da bolsa fosse inevitável, ou até permitam-me uma dose de crueldade, até mesmo boa como ensinamento aos homens de negócios, afinal de contas, o erro é geralmente mais didático que o acerto, as consequências poderiam ter sido tratadas e claramente estancadas, evitando que a hemorragia atacasse diversos segmentos da nação e até mesmo outros países, vale lembrar que o Brasil teve que queimar toda a produção de café excedente, representou praticamente o fim da política café-com-leite. Hoover cruzou os braços numa clara demonstração de impotência diante da desgraça generalizada.                  

E não é que Karl Marx estava certo!


Indicação de leitura: 

1929 - A Crise Que Mudou O Mundo - Jayme Brener




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2 comentários:

  1. LEgal tem pontos que eu achei interesante tipo o salário de um metalurgico americano, a america ganhou dinheiro assim por causa que as potencais européias estavam assoladas com a 1º guerra ?

    E tipo os grande puderam comprar impressas por preço de banana passando assim muitas impressas ao nome de bancos centralizando o capital na mão de poucos

    Filmes sobre o tema A noite dos desesperados
    Livro O que é IMPERIALISMO Afránio Mendes Catani

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  2. Exatamente, essa questão do salário do trabalhador norte-americano é muito contundente com relação ao salário de outros trabalhadores que executavam a mesma função, citei o inglês e o alemão.
    A crise de 1929 produziu realmente uma ruptura no sistema capitalista em voga naquela época.
    E a profecia de Karl Marx se cumpriu, toda sua explicação de como funciona o sistema capitalista coube direitinho com o resultado da crise.
    Que bom que gostou da postagem, seja bem-vindo(a) ao Pistas da História, na próxima vez que comentar sugira assuntos para que eu possa escrever a respeito e valeu pela indicação de filme e leitura (vou comprar esse livro).
    Abraço.

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