HITLER, DÉJÀ VU BONAPARTISTA



'Hitler é um monstro de perversidade, insaciável em sua sede de sangue e rapina. Não contente por ter toda a Europa sob o seu tacão ou de tê-la aterrorizada sob várias formas de submissão abjeta, tem que levar agora sua obra de carnificina e desolação ao meio das vastas multidões da Rússia e Ásia. 
A terrível máquina militar, que nós e o resto do mundo civilizado tão tola e tão inerte e tão insensatamente deixamos os gângsters nazistas construírem ano após ano a partir de quase nada, não pode ficar parada, senão ela se enferruja e se faz em pedaços.' Winston Churchill (1874-1965), Discurso numa rádio inglesa, após invasão alemã na Rússia em 22 de junho de 1941.

Adolf Hitler já é em sua essência um grande erro, porém, seguindo o objetivo deste blog, procurarei mostrar que a sua trajetória de ascensão não estava isenta de erros pelo simples fato de que Hitler era um ser humano (será?).
Porém, seu espírito tenha incorporado os ingredientes da criação em dosagens erradas. Certamente a tolerância e a piedade foram esquecidas. E alguns outros foram ministrados em quantidades superiores aos aceitáveis, como soberba e arrogância. Mas não se diz que Deus escreve certo por linhas tortas? Ou quem sabe Hitler não foi apenas um títere do demônio?
O fato é que mais de 6 milhões de judeus pereceram nas mãos dos oficiais alemães sob as ordens de Hitler. E eu encaro esta postagem como uma das mais difíceis de escrever, pois minha tentativa de narrar a trajetória do tirano alemão será pequena, devido ao volume de fatos e mistérios que rodeiam sua origem e ascensão. A partir de agora iremos permear as motivações do Führer e quais as variantes externas que influenciaram o modo de pensar e agir do governante que surgia como o novo Napoleão (daí o título déjà vu bonapartista) numa Europa já devastada pela Primeira Guerra Mundial, e acabaram por reduzí-lo a um monte de cinzas junto com sua esposa Eva Braun no bunker de Berlim, o führerbunker.
Serão apresentadas informações sobre a origem de Hitler, que torna-se uma tarefa especialmente trabalhosa, pois ele próprio eliminou diversos documentos e mandou incendiar o vilarejo onde nascera. Segundo William Patrick Hitler, filho do meio-irmão de Adolf, seu meio-tio teria lhe dito: 'Ninguém deve saber de onde venho'.
A palavra repugnância, apesar de ser graficamente quase três vezes maior que ódio, ainda é muito pequena para descrever o que Hitler realmente sentia pelos judeus. Existem algumas versões que tentam esclarecer a origem e o desenvolvimento de tal sentimento. Vamos a elas.



A primeira versão remonta a uma época bem anterior ao próprio nascimento de Hitler. Seu avô paterno é desconhecido. Sua avó paterna, Maria Schicklgruber, trabalhava como empregada doméstica na casa de uma família judia, justamente em que ficou grávida do pai de Hitler, Alois, o qual nasceu em 7 de junho de 1837. As pesquisas sobre o assunto elegeram vários candidatos para o posto de avô paterno de Hitler, entre eles um sujeito chamado Frankenberger, filho dos herdeiros  da casa senhorial de Ottenstein, onde Maria trabalhava. Os registros oficiais, elaborados pelo Partido Nazista, atestam que o avô de Hitler era Johann Georg Hiedler (donde origina-se a variação do nome Hitler), um dono de moinho com quem Maria se casaria cinco anos depois do nascimento de Alois. Mas há um detalhe suspeito: os patrões judeus de Maria pagaram uma pensão alimentícia para a criança até os 14 anos de idade. Hitler que não gostava nem um pouco da história, alegava que seu avô era Johann Hiedler e que sua avó vendeu a versão de que a família judia era responsável pela gravidez, obtendo assim um benefício extra. Na prática, significa que, em vez de admitir que tinha sangue judeu, acusou a avó de chantagem sexual (olha que garoto esperto).

A segunda versão apresenta um Hitler admirador da própria mãe, Klara, que sofria os males de um câncer. Quando ele tinha 18 anos de idade, após uma série de médicos e tratamentos sem resultados, sua mãe foi atendida por um certo doutor judeu, dr. Eduard Bloch, que se apresentava como o único capaz de curá-la. Porém, ela morreu e Hitler culpou o infeliz indivíduo.

A terceira história diz que Hitler julgava possuir um talento artístico inato. Em 1908, com 19 anos, já órfão de pai e mãe, vagueava-se pelas ruas de Viena pintando imagens da cidade e tentando vendê-las como cartões postais. Tentou então promover sua admissão na Academia de Belas Artes de Viena, mas, sem sucesso. Apesar de não ser um artista de todo ruim, não produzia nada de original. Não era criativo. Mas não é a criatividade a essência dos grandes gênios? As proporções humanas as quais desenhava eram horríveis. O fato é que essa ferida não cicatrizou nunca, transformando a frustração do fracasso em um grande complexo de superioridade. O resultado já dá para imaginar, repulsa aos judeus.

A quarta versão do anti-semitismo sugere que Hitler, durante suas andanças pela capital austríaca, tenha mantido relações sexuais com uma prostituta, contraindo sífilis. Essa tal prostituta era judia, uma espécie de Dama das Camélias, só que ao invés de tuberculose ela possuía sífilis.

A quinta versão expõe sua sobrinha, Geli Raubal, com a qual Hitler teria uma forte identificação e talvez tivesse mantido relações sexuais. Porém, uma suposta deformidade em seu corpo, a monorquidia (a presença de apenas um testículo), teria feito com que Hitler obrigasse-a a depravações da qual a menina não suportava. Em 1931 ela foi encontrada morta no próprio apartamento. Especula-se que Hitler a assassinou porque ela pretendia fugir de suas perversões... Detalhe: com um amante judeu, que seria seu professor de música.

O anti-semitismo era uma doença em Hitler. Seu desprezo era tanto, que conforme sua escala no poder foi surtindo resultado, os judeus eram cada vez mais humilhados. Algumas cidades colocavam cartazes na entrada que diziam: 'Dirija com cuidado. Curvas perigosas. Judeus: 120 quilômetros.'

Então como já é de conhecimento dos caros leitores os motivos de ódio aos judeus e expansionismo militar, como a superioridade da raça ariana vamos direto ao ponto. O verdadeiro motivo de ter relacionado Hitler com Napoleão Bonaparte.

Adolf Hitler foi alvo da mesma sorte de Napoleão, invadir a União Soviética no inverno em 22 de junho de 1941. Curiosamente, 22 de junho foi o mesmo dia escolhido por Napoleão em 1812 para cometer a mesma gafe histórica. Definitivamente, a vida dá muitas voltas.

Em janeiro de 1945 Hitler transfere-se para seu Bunker em Berlim juntamente com Eva Braun, sua amante, agora esposa pois casou-se com ela in extremis. Em 30 de abril de 1945, Hitler pôs fim a sua vida aos 56 anos e de Eva Braun.
Seu último desejo era que fosse cremado para evitar que os inimigos estudassem o corpo de um legítimo alemão. 

Datada de 27 de abril, uma das últimas anotações de Hitler é muito curiosa: 'No fim de tudo, vem o  arrependimento de ter sido tão generoso.'

Sinceramente: o mundo dispensa essa generosidade.   





Download do livro O Dossiê Odessa de Frederick Forsyth

 
Indicação de leitura e referência bibliográfica:
O Duelo - Churchill x Hitler / John Lukacs





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