JUSCELINO KUBITSCHEK, LUTA PELA DEMOCRACIA.





'Não há, não há distúrbio nesta terra, / de que mão militar não seja autora.' Critilo (século  XVIII), Cartas Chilenas, IX.

Juscelino Kubitschek foi o 20º brasileiro a assumir a presidência da República, num momento ímpar da história do Brasil, em que o governo encontrava-se num vale democrático, cercado de elevadas montanhas, representando de um lado, o passado ditatorial, e de outro lado o futuro próximo militar.
Sua história remonta à antiga Diamantina, Minas Gerais, do século XIX, chamada Arraial do Tijuco naquele tempo, quando Jan Nopomukaya Kubitschek, um boêmio do antigo Império Austro-Húngaro, atual Checoslováquia, chegou à cidade mineira, a 282 quilômetros da capital, Belo Horizonte, com um pouco de dinheiro e muita força de vontade.
Veio em busca do ouro abundante, que fascinava toda a Europa, especialmente Portugal, a metrópole da imensa colônia sul-americana. Em 1830, ano em que Jan, que ficou conhecido na região como João Alemão, chegou a Arraial do Tijuco, a ascensão da produção do ouro já havia passado. Porém, a febre em busca do valioso metal, não. Foi exatamente o contrário: com a produção rareando, o governo português passou a exigir cada vez mais escravos trabalhando nas minas, procurando pela riqueza que lentamente sumia. Jan foi um dos imigrantes do século XIX que foram atraídos pela promessa de riqueza fácil. Só não imaginava caros leitores que seus descendentes chegariam tão longe na história da Jovem República  brasileira.
Como o assunto é JK, então vamos a ele.
Após a morte de Vargas, o potiguar João Café Filho (1899-1970) assumiu a presidência do Brasil, mantendo o programa de eleições gerais. No entanto, as Forças Armadas consideravam que o ideal   seria apresentar um candidato civil, único, para a presidência.
Sim, é isso mesmo. Um candidato único, sem concorrentes. Juscelino, que já sonhava com o posto máximo da política, não aceitava esse fato. Ele queria sim ser presidente, mas considerava que era preciso ser eleito pelo povo. Chegou inclusive a conversar com amigos, por exemplo o antigo líder integralista, Plínio Salgado (1895-1975), para convencê-los a concorrer com ele.
Pois muito bem, por conta dessa determinação de que apenas a democracia daria ao povo brasileiro a chance de se tornar um país desenvolvido, Juscelino passou a colecionar inimigos ao longo de sua campanha eleitoral. O ministro da Guerra, general Henrique Lott (1894-1984), declarou sua "preocupação" com o candidato Juscelino Kubitschek e com seu suposto apoio 'comunista'. 
Houve um grande problema antes das eleições: uma nova tentativa de golpe de estado em 11 de novembro de 1955, o chamado 'Golpe da Legalidade', na madrugada de 11 de novembro, as tropas tomaram as ruas do Rio de Janeiro e exigiram a deposição de Carlos Luz e a garantia de que Café Filho não retornaria ao poder, digo isso porque dias antes desse acontecimento Café Filho adoecera entregando o cargo interinamente ao vice-presidente Carlos Luz.
Juscelino venceu as eleições para a presidência com 36% do total de votos válidos, sendo que Juarez Távora ficou com 30%, Ademar de Barros 26% e Plínio Salgado 8%. A UDN astuta como sempre, partidária do antigo regime, declarou a necessidade da maioria absoluta para ser presidente da República. Não deu certo. 
João Goulart venceu o pleito para a vice-presidência e, antes de tomar posse, o presidente eleito embarcou numa peregrinação política pela Europa e Estados Unidos, com projetos e ideias. Queria conversar com chefes de Estado dos países ricos e tentar seduzi-los a investir no Brasil. Quem não se interessasse, era logo deixado de lado e Juscelino continuava à caça de verdadeiros interessados.
Só que a estabilidade do governo JK virou lenda. E não se devia apenas a sua habilidade política, à sua capacidade de encampar a oposição através do diálogo e da barganha. O grande apelo de Jk foi o otimismo desenvolvimentista, emanado do Programa de Metas, cuja finalidade era modernizar o Brasil, dotando-os de indústrias de base e de bens de consumo duráveis (como automóveis). Esse novo nacionalismo meus caros abriu o país ao capital externo, promovendo a importação de indústrias e tecnologia. 
Segundo o próprio Juscelino: "Industrializar aceleradamente o país; transferir do exterior para o nosso território as bases do desenvolvimento autônomo; fazer da indústria manufatureira o centro dinâmico das atividades econômicas nacionais - isto resumia o meu propósito, a minha opção".
E vou mais além, em outra frase não mais instigante: "Tínhamos que(...) superar nossa dependência do café. A indústria automobilística superou tudo".
E no governo do presidente Bossa-nova só colhemos os louros da vitória? Não. 
Ao final de seu governo, haviam sido construídos 13 mil quilômetros de estradas, contra 12 mil planejados; recuperação e modernização de 5.615 quilômetros de estradas, contra a meta estabelecida de 5.000 quilômetros. Brasília foi estipulada em 44 meses de construção e a obra demorou 43 meses, na prática; também trouxe grandes empresas multinacionais para o Brasil, elevando a taxa de crescimento do país em torno de 8% ao ano, uma média espetacular, se comparada aos 5% do período entre 1945 e 1955.
Continuo falando de aspectos bons do governo, e os ruins? Vamos a eles.
O desemprego aumentou em decorrência da migração dos agricultores para as cidades, que incharam-se, sem que os prefeitos acompanhassem o ritmo frenético de desenvolvimento proposto pelo presidente, provendo a infra-estrutura necessária. O setor agrícola e a educação foram os únicos pontos do Plano de Metas cujos objetivos não foram atingidos. A inflação média era de 13% ao ano, e como tudo na vida é apenas uma questão de referência, o índice não era tratado com alarde em decorrência da quantidade e qualidade das obras que se espalhavam pelo Brasil.
Além dos problemas 'mensuráveis', Juscelino também viu-se obrigado a enfrentar dissidentes militares, chegando a comprar um porta-aviões de segunda mão da Inglaterra, construído na Segunda Guerra Mundial, para presentear a Marinha.
Também foi duramente criticado por 'associação com o comunismo' ou, antagonicamente, por 'vender o país aos capitalistas'.
O que ocorria era o seguinte estratagema: se a União Soviética desse um passo à frente dos Estados Unidos, Juscelino era comunista; do contrário, considerado capitalista. Porém JK nunca agiu como um ditador, impedindo manifestações e repudiando estudantes. Era um democrático e acreditava que é justamente por meio da alternância de poder que se constrói um país bom para se viver.           

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