MARIA - A ESCOLHIDA DE DEUS.



Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. Eis que você vai ficar grávida, terá um filho e dará a ele o nome de Jesus (Lucas 1,30-31)

Entre os israelitas do século I, Ela era apenas Maryam, uma menina pobre, sem acesso aos estudos e com um futuro incerto. Entre os cristãos de hoje, ela é Maria, a mãe ideal, a mulher pura e cheia de graça, a santa protetora que vem em socorro dos fiéis nos momentos de dificuldade.
Mas entre a Maryam de ontem e a Maria de hoje, uma história marcante aconteceu.

Essa jovem humilde e bondosa foi escolhida para dar à luz o Messias e, ao lado de seu filho, viveu grandes alegrias, tristezas e provações. Passados 2 mil anos, sua históroa inspira fiéis de todo o mundo.

Maryam, como era chamada em aramaico, significa "soberana". E Míriam, versão de seu nome em hebraico, quer dizer "amada por Javé". Certo dia, a jovem, recebeu a visita de um anjo chamado Gabriel. O mensageiro trazia uma importante notícia: "Eis que você vai ficar grávida, terá um filho e dará a ele o nome de Jesus". 

Maria que era virgem e estava prometida em casamento, ficou preocupada com a notícia: "Como vai acontecer isso, se não vivo com homem nenhum?". Mas logo aceitou a missão, entendendo que o Filho de Deus seria concebido pelo Espírito Santo. Assim como a história de Maria, conforme narrou o evangelista Lucas, em fins do século I.
As imagens utilizadas evocam a concepção de uma nova criação, sem a intervenção do homem, permitam-me até afirmar que é uma narrativa permeada por elementos sagrados.

Os escritos de Lucas e os evangelhos de Mateus, Marcos e João completam a biografia oficial de Maria. seus autores contam que, grávida, ela e seu marido, José, viajaram para Belém para participar de um recenseamento. 
Lá chegando nasceu Jesus.
Para escapar da perseguição do rei Herodes, a família fugiu em seguida para o Egito e retornou anos depois para Nazaré. 
Mais tarde, Maria acompanhou as primeiras pregações do filho. Testemunhou seu primeiro milagre e assistiu a sua paixão, crucificação e morte.

Os relatos no entanto, deixam muitas perguntas em aberto a respeito de Maria. Quem foram seus pais? Como foi sua infância? Em que circunstâncias se deu sua morte?

É importante dizer que não temos nada de biográfico sobre ela na bíblia, apenas interpretações.
Para se chegar ao dado histórico, verdadeiro motivo do blog Pistas da História, o trabalho é longo e, às vezes a informação não é totalmente segura, mas aqui é diferente, irei permear a história de Maria e você chegará a um consenso.

A VIDA NA PALESTINA


Que Maria viveu na Palestina do século I, é consenso entre os especialistas. A região era uma província do Império Romano e estava sob o comendo dos quatro filhos do rei Herodes. Apesar de não gozarem de autonomia política, os judeus eram autorizados a manter sua religião e costumes. Como uma típica mulher de sua época, maria provavelmente passava a maior parte do tempo em sua casa, cuidando dos afazeres domésticos. Nas ruas, andava com um véu cobrindo o rosto e era proibida de cumprimentar homens em público.

Não sabia ler nem escrever e não tinha permissão para estudar a Torá, que reunia textos do Antigo Testamento. Embora sofresse restrições, Maria não era uma mulher ignorante. Uma das hipóteses levantadas inclusive por mim depois de ler exaustivamente passagens da Bíblia, é que ela estava consciente de sua situação e dos problemas de seu povo. 

Ao lado dos pobres de Israel, buscava o retorno às antigas tradições. Sonhava com os ideais de igualdade e solidariedade vigentes no período tribal.
Ela é uma pessoa que saiu da tradição dos pobres de Israel, do povo da terra, para mostrar que a classe mais humilde não era completamente ignorante como se fazia crer.

O QUE DIZIAM OS APÓCRIFOS?


Os textos apócrifos por volta do século 2 podem preencher algumas lacunas da história de Maria.
O Proto-Evangelho de Tiago conta que os pais de Maria se chamavam Joaquim e Ana. Vamos a uma breve história dos dois...
Joaquim era um homem rico, mas sentia-se triste por não ter filhos. No deserto jejuou durante 40 dias, orando a Deus para ter uma descendência. Sua mulher, Ana, também se lamentava pela triste sorte do casal. Certo dia, um anjo revelou a ela: "Conceberás e darás à luz, e em toda a terra se falará de tua descendência". É dessa maneira caros leitores que o Proto-Evangelho de Tiago começa a narrar o nascimento de Maria.

Em agradecimento à gravidez, Ana consagrou sua filha ao Templo dew Jerusalém, onde ela viveu e foi educada desde os 2 anos. Quando Maria completou 12 anos, os sacerdotes se reuniram para decidir o futuro dela. Nessa idade é importante dizer que as meninas já alcançavam a 'maioridade' e podiam se casar.

A escolha de um marido para Maria é marcada por um acontecimento extraordinário, segundo o apócrifo.
Vários viúvos foram reunidos no templo e esperava-se que um sinal indicasse o escolhido. Foi quando uma pomba saiu do cajado de José e pousou sobre sua cabeça. Para os teólogos, apesar de serem considerados fantasiosos ou supersticiosos, esses textos podem revelar algumas informações.


PROFESSORA E ALUNA


A Bíblia revela detalhes sobre a personalidade de Maria. A mulher simples também se mostra consciente. É sábia, mas discreta. Humilde, porém corajosa. Na relação com o filho, Maria se mostra uma mulher habilidosa.
Quando necessário, age como mãe, chamando atenção do filho. Na visita a Jerusalém, no instante em que o Jesus adolescente se perde da família, ela indaga: "Meu filho porque você fez isso conosco?" (Lucas 2,48). 
Mas também se comporta como discípula e aprendiz, meditando sobre as palavras do filho. É uma relação bonita entre mãe e filho, de ensino e aprendizado.


OS DOGMAS DE MARIA - Nossa Senhora foi virgem a vida toda? Subiu aos céus de corpo e alma?


O primeiro dogma mariano doi estipulado em 431, no Concílio de Éfeso. Dizia que Maria era mãe de Jesus Cristo enquanto filho de Deus encarnado. Mais tarde, em 533, o Concílio de Constantinopla aprovou o dogma da virgindade de Maria. 

Nos séculos 19 e 20 surgiram outros dois dogmas: a Imaculada Conceição (que é festejada no dia 8 de dezembro e que por sinal é dia de meu aniversário, portanto sou consagrado a Maria), segundo a qual Maria nasceu sem o pecado original;  e a Assunção, segundo Maria ascendeu de corpo e alma ao céu. Quero deixar bem claro que essas dogmas não têm base bíblica e por isso, não são aceitos por evangélicos e ortodoxos já que levam tudo a ferro e fogo como bem sabemos. 

Afirmou-se que Maria concebeu Jesus pela ação do Espírito Santo e permaneceu imaculada durante toda a vida. A crença na virgindade perpétua de Maria não é consenso entre os cristãos. 

As igrejas da Reforma Protestante, admitem a maternidade virginal apenas para o nascimento de Jesus, sendo que depois Maria deu à luz irmãos e irmãs de Cristo. 

Um desses relatos aparece no Evangelho de Marcos, quando moradores de Nazaré perguntam a respeito de Jesus: "Este homem não é carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão?". 

Para alguns protestantes é um prato cheio para difamar Maria sem dó nem piedade, digo alguns pois graças a Deus uma boa parcela dos nossos irmãos reconhecem a importância de Maria e sua representatividade na cristandade ocidental; e da mesma forma que esses poucos cristãos o fazem, defendo Maria com unhas e dentes também sem dó nem piedade. Caro leitor, se você que está lendo este post for protestante, desculpe minha petulância mas irei explicar que essa passagem trata-se de um equívoco histórico gravíssimo que os irmãos usam para acabar com a imagem que nós católicos temos da virgem, agora permitam-me a devida explicação...

Quanto aos irmão de Jesus já se disse que o Novo Testamento não conhece outros filhos de Maria e de José e que em nenhuma passagem no NT alguém é chamado filho de Maria no sentido estrito da palavra, a não ser Jesus. A locução "irmãos do Senhor" que aparece no NT é um hebraísmo para designar parentesco próximo. Essa designação aparece em Mt 12,46; 13,55s; Mc 3,31; 6,3; Lc 8,19; Jo 2,12; 7,3ss; 20,17; At 1,14; 1Cor 9,5 e Gl 1,19. 

Os nomes desses "irmãos do Senhor" também são conhecidos como já citei: Tiago, José, Simão e Judas.

Vejam, na língua hebraica não há muitos termos para designar os diversos graus de parentesco, como primo, sobrinho, tio, enteado etc. Segundo a tradição nômade, os membros de uma tribo ou de  um clã eram chamados irmãos, do mesmo modo que o chefe era chamado pai. O termo hebraico ah significa literalmente irmão, mas pode designar também outros consaguineos como sobrinho 
(Gn 14, 4ss); tio (Gn 29,15); primo (Lv 10,4; 1Cr 23,21).

Os quatro "irmão do Senhor" mencionados no NT não podem ser entendidos como filhos de Maria e José.
Tiago e José são filhos de outra Maria meus caros e desbravadores leitores, que estava aos pés da cruz de Jesus: "Entre outras, achavam-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e José e a mãe dos filhos de Zebedeu" (Mt 27, 56). Simão e Judas eram parentes de Jesus. Não há menção alguma no NT de que eles fossem irmão uterinos de Jesus.

E lanço uma pergunta intrigante. Fica difícil entender como é que Jesus teria entregue sua mãe aos cuidados de um discípulo dele, João (Jo 19,26), se ela tivesse outros filhos que poderiam cuidar dela? 




DEPOIS DE JESUS


Quando perde o filho, Maria não abandona o projeto de vida dele. Podemos dizer que era uma mulher bem decidida, que aderiu à fé cristã junto com outras pessoas.
No livro dos Atos dos Apóstolos, atribuído a Lucas, ela é citada ao lado dos discípulos e discípulas de Jesus, o que pode indicar que fez parte da comunidade primitiva dos cristãos.

Sobre os últimos dias da mãe de Jesus, não há nenhuma referência na Bíblia. Mas o apócrifo Trânsito de Maria afirma que, dois anos após a ressurreição, Jesus teria voltado para buscá-la acompanhado de uma multidão de anjos.

Maria então subiu aos céus de corpo e alma.    

Deixo-vos agora com a excelente música de Padre Zezinho chamada História de Maria, até a próxima postagem que será extra também sobre Maria, aliás Nossa Senhora de Fátima, pois amanhã é dia 13 de maio e comemora-se a aparição de Fátima aos 3 pastores. Abraço.





Indicação de leitura:  Redescobrindo Maria - Mauro Clark
Resenha: Quem era aquela mulher? O que fez para receber de Deus tamanha honra? Qual o seu papel no ministério de Jesus? O que ela verdadeiramente representa para a religião cristã? Que tipo de atitude devem ter para com ela, hoje? O livro se propõe a responder a perguntas como essas, ajudando-nos a compreender a figura de Maria no contexto do cristianismo.



3 comentários:

  1. Muito bom post...
    Talvez você deixado escapar um detalhe na bíblia.
    Jesus, na bíblia, é chamado de "primogênito de Maria". Primeiro. Logo, há , pelo menos, um segundo. Filho único é unigênito.

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  2. maravilhoso seu post, só fico triste com a parte"Para os protestantes é um prato cheio para difamar Maria sem dó nem piedade" sou protestante e não difamo a Maria, eu amo e respeito é exemplo de mulher para todas as gerações e religiões,acredito totalmente que concebeu Jesus estando virgem, não creio que ficou nessa condição para sempre, pois era noiva de Jose ... logo se casaram e viveram como um casal normal, esses protestantes de "diminuem" a Maria são uns ignorantes! mas vc não pode generalizar...o mais importante é: foi mãe de nosso Salvador.

    n

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  3. Cara R.P agradeço imensamente seu comentário, não sabes o quento fico feliz com suas palavras, principalmente com a crítica, pois edifica meu trabalho e eu posso aprimorá-lo cada vez mais. Fiz as devidas correções no trecho, fui infeliz com aquela declaração, generalizei o que é um erro tremendo principalmente nas plataformas virtuais. Quando escrevi essa postagem, ainda estava engatinhando no blog, dando os primeiros passos, aperfeiçoando meu trabalho, hoje creio que está bem melhor(espero rsrsrs). Acessei seu blog e quero parabenizá-la por evangelizar de forma tão expressiva e contundente a palavra de Deus. Espero que volte ao meu blog e continue opinando e dando sugestões, pois vocês (leitores) são extremamente importantes. Mais uma vez obrigado por comentar e desculpe pelo deslize. Abraço fraterno.

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