VIETNÃ - 35 ANOS DA GUERRA ENTRE DAVI E GOLIAS!




'A guerra não é outra coisa senão a continuação das relações políticas com interferência de outros meios' Karl von Clausewitz (1780-1831), Da Guerra.

O Vietnã, desde 2.500 a.C., era parte do Império Chinês. É um país completamente banhado pelo golfo de Tonquim e pelo mar da China. Tornou-se um reinado independente apenas a partir do século X e essa posição de liberdade perdurou até o século XIX, quando os povos ocidentais chegaram à Ásia não apenas para fazer o comércio, mas para dominar em definitivo a região.
No final do século XIX, a Indochina, região da qual faz parte o Vietnã, o Camboja e o Laos, entre outros menores, era parte do Império Colonial Francês, comandado por Napoleão III, cujos co-governantes controlavam a região toda a partir de Hanói, a capital do Vietnã.
Antes da década de 1940, os franceses, e até mesmo outros povos ocidentais, foram expulsos da Indochina pelos japoneses, que passaram a controlar a região, ampliando seu domínio durante a fase expansionista dos nipônicos, ávidos por uma guerra. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, dizia-se que os Estados Unidos, que entraram oficialmente no conflito apenas em 1941(vale lembrar que na 1ª Guerra Mundial eles participaram a partir de 1917) após o ataque japonês em Pearl Harbor (postarei mais adiante sobre esse ataque), deveria preocupar-se 'com as loucuras da Europa e com a ambição do Japão'. Entretanto caros leitores, após 1945, quando o Japão perdeu a guerra, as potências aliadas logo retornaram à região para restabelecer seu antigo domínio.
Os EUA voltaram às Filipinas, ficando apenas até julho de 1946. A Inglaterra voltou para a Birmânia e a Malásia, também não conseguindo ficar muito tempo: até janeiro de 1948 e início da década de 1950, respectivamente. Toda a região do sudeste asiático lutava agora por independência. Todas as nações estavam cansadas de dominação, seja do Ocidente, seja o Japão. No caso do Vietnã, logo após o fim da guerra, os franceses correram à região para retomar seu antigo controle. É... 
A história foi mais longa e triste do que os demais países.
Direto ao assunto: os Estados Unidos chegaram ao Vietnã certos de que fariam uma guerra rápida, saindo obviamente com a vitória. Os recursos bélicos eram quase que ilimitados. As estratégias de guerra também foram adaptadas à região, logo de cara com um bloqueio marítimo que impedia a chegada de suprimentos aos norte-vietnamitas.
Porém, com o passar do tempo, os líderes burocratas que tomavam as decisões em suas confortáveis salas com ar condicionado, do outro lado do mundo, perceberam que a resistência por parte dos norte-vietnamitas, em conjunto com os vietcongues, era forte demais.
Durante o dia, helicópteros decolavam e pousavam de suas bases na República do Vietnã, passando a impressão de total controle da situação. À noite, porém, a situação se invertia. Os soldados norte-americanos trancavam-se em abrigo, pavorosos de um ataque surpresa da querrilha  dos vietcongues. Outro fator também dificultava muito o desempenho dos soldados: era impossível distinguir um vietcongue de um civil incapaz de esboçar qualquer perigo, pois, os querrilheiros tinham a aparência de pessoas comuns, vestiam-se como pessoas comunse misturavam-se com pessoas comuns.
As florestas transformavam-se num cenário de guerra pavoroso para os soldados urbanos dos Estados Unidos. Os vietcongues fabricavam armadilhas camufladas, baseadas em buracos profundos, com o fundo repleto de bambus com pontas afiadas, embebidas em veneno.
As baixas norte-americanas cresciam à galope e os Estados Unidos começaram a mudar de tática para reduzir as mortes de soldados que vinham sofrendo.
Para forçar o governo do Vietnã a abandonar a luta, o comando de guerra norte-americano decidiu bombardear o inimigo incessantemente até que ele se rendesse.
Ah, enfim a vitória? Nada disso.
Filosofias urbanas à parte, é chegado o momento de esclarecer o erro por parte dos Estados Unidos, o momento em que Davi vence Golias!
É certo que tornou-se quase uma unanimidade declarar que o erro foi a entrada do país do Tio Sam na guerra, com investimentos bélicos em três governos: Eisenhower, Kennedy e Johnson. Entretanto, corroborar essa afirmação é mantê-lo, caro leitor, no lugar comum da história. O verdadeiro erro dos EUA foi subestimar o jovem Davi (Vietnã), consumidos pelo superego deixaram de considerar os verdadeiros perigos do conflito: uma região inóspita e inimigos extremamente motivados. Esse foi o erro total da estratégia de guerra dos EUA que mudou o curso da história.          


Indicação de leitura: Vietnã pós-guerra (excelente livro) - Airton Ortiz




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2 comentários:

  1. muito bom gostei da produção do seu texto, você poderia mais adiante fazer um texto sobre a Guerra Fria tão cheia de conspirações e experiencias malucas que tal ?

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  2. Com toda certeza, já anotei sua sugestão.
    Ficará para o mês de julho já que estamos no final de junho e as postagens já estão fechadas.
    Ótima sugestão, realmente, o assunto é muito interessante, pois além de ter ligação com política internacional também tem ligação com espionagem que foi fundamental para o desenrolar dessa guerra.
    Forte abraço e seja bem-vindo(a) ao blog Pistas da História.

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