AGAR - A escrava rebelde.



Agar, escrava de Sara, de onde vem e para onde vai? Agar respondeu: Estou fugindo de minha patroa Sara”
(Gênesis 16,8)

A vida seguia seguia de poço em poço, em busca de água, as famílias de hebreus seminômades enfrentavam uma dura jornada pelas estepes de Canaã. Calor, seca, fome e doenças eram alguns dos obstáculos encontrados pelo caminho. Entre as mulheres, a expectativa de vida era de 34 anos.
E podia ser menos, caso se tratasse de uma estrangeira ou de uma escrava. Agar, a nossa biografada de hoje, a serva egípcia do patriarca Abraão e de sua mulher Sara, não se importou com esses riscos.

Revoltou-se contra os maus-tratos que recebia da patroa e enfrentou com um filho nos braços os perigos do deserto. Sua coragem deixou uma marca profunda em diversas religiões monoteístas. Sua vida é narrada no Gênesis, na Torá, em midrashs e na Suna, que reúne as interpretações de Muhammad sobre o Corão.

A lenda sobre Agar é muito antiga. Desde aproximadamente 1000 a.C., ela já era conhecida por escravos na região do atual Oriente Médio. Para eles, a escrava que fugia com seu filho era uma fonte de inspiração e de esperança.

Os relatos falam de uma mulher que sofre com a escravidão, resiste e não é abandonada por Deus. Nessa saga, que era transmitida oralmente, os patrões de Agar provavelmente eram outros. Somente quando foi registrada no século 5 a.C., a narrativa foi incorporada ao ciclo de Abraão.

No texto bíblico, Sara, a mulher de Abraão não consegue engravidar (leia o artigo que escrevi sobre Sara), então oferece sua escrava ao marido para que ela gere filhos. A condição de grávida inspira Agar a se revoltar contra sua condição de escrava, portanto, quando ela engravida passa a olhar a patroa de igual para igual, sente-se dona do filho e decide lutar pelo direito de ser mãe.

A MÃE DE UM POVO

Na sequência da história, Agar foge, mas um anjo a orienta retornar. O filho nasce e ganha o nome de Ismael. Com o passar do tempo, Sara pede que o marido mande os dois embora. Sem opção, mãe e filho vão para o deserto. O choro da criança é ouvido por Deus, que mostra uma fonte de água e anuncia um grande futuro para os descendentes de Ismael. Eu farei dele uma grande nação, diz.
A tradição islâmica afirma que povos  de línguas árabe se dirigiram para o poço encontrado por Agar e se estabeleceram em volta dele. Assim teria surgido a grande nação citada por Deus, que hoje é associada aos árabes. Segundo os muçulmanos, o poço ainda está ativo. Ele situa-se no centro de Meca e chama-se Zemzem.
Esse é um dos grandes milagres deixados por Agar e seu filho, e de Agar também veio a descendência do profeta Ismael e de Muhammad.

PESSOA VIRTUOSA

No judaísmo, Agar é apresentada como a filha de um rei que abandonou o Egito e seguiu voluntariamente Abraão, atuando como serva e abraçando o monoteísmo. Por isso, os judeus a consideram uma mulher exemplar e virtuosa. Para ela o mais importante era servir a Deus, tanto que largou os luxos de princesa para ser serva, ou seja, Agar trocou uma vida material por uma vida espiritual.

ESCRAVAS, CONCUBINAS E ESPOSAS – Dentro dos clãs, cada mulher tinha o seu papel determinado.

As mulheres podem ser divididas em três grupos nos clãs e famílias dos antigos hebreus. No topo, estavam as esposas. Em seguida, as concubinas e, por fim, as escravas. A obrigação dessas últimas era ajudar nos trabalhos domésticos e servir a família em suas necessidades.

Isso também incluía engravidar do patrão, caso a esposa fosse estéril. As concubinas tinham mais regalias que as escravas. Muitas viviam numa condição semelhante à de esposa e tinham direitos reconhecidos enquanto durasse a união.
A diferença entre concubina e esposa é que, com a segunda, o homem assumia todas as responsabilidades não só durante o casamento , mas também depois com a divisão de bens, sim amigos, naquele tempo já havia divisão de bens.

Por muito tempo, as esposas exerceram grande liderança dentro das famílias. Ao lado dos homens cuidavam da roça, dos filhos  e dos alimentos. Mas como a economia não era decidida com a participação feminina, a mulher passou para uma função secundária.   
  

5 comentários:

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    vou visitar sempre seu blog!
    meus parabéns!
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  2. Obrigado Nina Herica, agradeço suas palavras.
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    para agradecer a sua visita!!!
    obg...
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  4. Muito bom , eu tenho uma grande admiração por Agar e penso que ela foi bem de acordo com a sua explicação, uma mulher lutando pelo direito de ser mãe e não apenas um útero como ferramenta de procriação para a patroa, e ela foi uma mulher tão abençoada quanto Sarai, visto que foi para Deus mais obediente e fiel.

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  5. Exatamente Cristiane Lopes, muito obrigado pela sua participação e concordo plenamente com o que disse. Ela realmente demonstrou através daquele ato se fez mulher de fibra e de coragem. Sem contar que ela teve uma grande participação na história. Sempre que puder volte ao blog, todo mês uma postagem diferente.

    Fraternalmengte,

    Randerson Figueiredo.

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