ANA – A mãe do profeta Samuel.



“Cheia de amargura, Ana rezou a Javé e fez uma promessa: ‘Javé dos exércitos, se quiseres dar atenção à miséria da tua serva e te lembrares de mim e lhe deres um filho homem, então eu o consagrarei a Javé’
(1 Samuel 1-10,11)”

“ Eu sou aquela mulher que esteve aqui em tua presença orando ao senhor, eu orei por este menino e o Senhor concedeu-me a petição que lhe fiz.”
Com essas palavras, Ana, esposa de Elcana e mãe do profeta Samuel, agradeceu a Deus o dom da maternidade.
O gesto simples foi mais do que um ato de devoção religiosa. Para Ana, a maternidade pôs fim a um ciclo de constantes humilhações.

Ela era estéril e a outra esposa de Elcana, Fenena, já tinha muitos filhos. Todos os anos, quando iam adorar o Senhor no Templo de Silo, perto do centro do país, Ana chorava desconsolada quando Elcana dividia as porções do sacrifício.
Ele dava uma única parte para Ana e várias para Fenena, para que elas distribuísse a seus filhos. A outra esposa também atormentava Ana dizendo que Deus a havia amaldiçoado com a esterelidade.
Era uma provocação grave. Numa sociedade em que todos aguardavam a vinda do Messias, ser estéril significava que Deus recusava à mulher a possibilidade de ser mãe do salvador ou de algum antepassado dele.

Entre as mulheres dos judeus, ser mãe era uma grande honra. Elas eram consideradas elos de ligação entre o passado e o futuro daquela sociedade.


A IMPORTÂNCIA DA REPRODUÇÃO


No período pré-monárquico, por volta de 1050 a.C., os hebreus estavam divididos pela Terra Prometida m pequenas comunidades agrárias. Os conflitos constantes com os antigos povos da região encolhiam a média de vida, que ficava entre 30 e 35 anos.
O poder da mulher estava atrelado à sua capacidade de reprodução, pois era a garantia da continuação da comunidade. As mulheres estéreis, desprovidas desse poder, ficavam vulneráveis, Ana, inconformada com sua situação, roga a Deus por um filho varão e promete entregá-lo a serviço religioso.

A Bíblia diz que, ao sair do templo, seu semblante não era mais triste e ela sentia vontade de comer e beber com sua família. Ao voltarem para casa, Ana engravidou e deu à luz Samuel, que em hebraico significa “Deus está ouvindo”.
Seu filho se tornou profeta e o último juiz do povo hebreu. Ele unificou as 12 tribos (veja postagem sobre Palestina, você poderá ver um infográfico desde Adão e Eva, até o desmembramento das 12 tribos) e foi um dos personagens mais notáveis da Bíblia. Heróis como Samuel têm que vir ao mundo de um modo especial.


AS ESPOSAS RIVAIS – Entre companheiras e mãe, elas queriam as duas coisas.


Agar desprezava Sara (próxima biografia), Lia rivalizava com Raquel e Fenena desdenhava Ana. Em comum, Agar, Lia e Fenena tinham, além do desprezo pelas mulheres estéreis de seus maridos, o fato de serem mães e de não sentirem amadas.
Isso tornava a rivalidade uma atitude comum no relacionamento entre as esposas que viviam sob a égide dos casamentos poligâmicos no Antigo Testamento.
Desde Eva, a Bíblia define o papel da mulher como companheira e mãe, sem privilegiar nenhuma das duas. A partir do momento em que a poligamia aparece no Antigo Testamento, algumas tradições dissociam o papel da mulher entre a companheira e a procriadora.
Sendo assim, uma deveria complementar a outra no tecido familiar.
Porém, as rinhas entre as esposas mostram que a realidade não era bem essa. Cada mulher queria para si os dois papéis. No fim, a poligamia, tolerada no Antigo Testamento, acabou abolida com a nova lei de Jesus.
A rivalidade de Fenena levou a sua própria destruição. Tomada pelo vírus da destruição, ela queria machucar a outra sem perceber o efeito bumerangue que sua atitude provocava.


O ENIGMA DE ELCANA


Ao ver o choro desconsolado de Ana no templo de Silo, Elcana se dirigiu a ela com uma pergunta: “Porventura não sou eu melhor para ti do que dez filhos?”.
Ana, sem responder, saiu para orar ao Senhor. Essa frase vem sendo interpretada de diversas maneiras entre os estudiosos.
Para alguns, é uma afirmação do amor do casal e uma mensagem de força .
Para outros, Elcana deixa claro que gosta mais de Ana do que de Fenena e seus filhos.


SEMELHANÇAS COM MARIA


Ao entregar Samuel ao Templo, Ana compõe um magnífico salmo em louvor a Deus Todo Poderoso. Treze séculos mais tarde, no Novo Testamento, Maria, no Magnificat louvará o senhor com termos retirados de Ana.
Essa referência serve para mostrar Ana como uma figura-símbolo do Antigo Testamento que prefigura a Virgem Maria.
A semelhança entre os cânticos de Ana e de Maria é reveladora. O cântico de Ana nos apresenta as promessas que um dia Deus realizaria com Maria.

2 comentários:

  1. A OUTRA ESPOSA DE ELCANA SE CHAMAVA PENINA E NÃO FENENA.

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    1. ANA – A mãe do profeta Samuel.
      by Randerson Figueiredo 11:09 1 comentários



      “Cheia de amargura, Ana rezou a Javé e fez uma promessa: ‘Javé dos exércitos, se quiseres dar atenção à miséria da tua serva e te lembrares de mim e lhe deres um filho homem, então eu o consagrarei a Javé’
      (1 Samuel 1-10,11)”

      “ Eu sou aquela mulher que esteve aqui em tua presença orando ao senhor, eu orei por este menino e o Senhor concedeu-me a petição que lhe fiz.”
      Com essas palavras, Ana, esposa de Elcana e mãe do profeta Samuel, agradeceu a Deus o dom da maternidade.
      O gesto simples foi mais do que um ato de devoção religiosa. Para Ana, a maternidade pôs fim a um ciclo de constantes humilhações.

      Ela era estéril e a outra esposa de Elcana, Fenena, já tinha muitos filhos. Todos os anos, quando iam adorar o Senhor no Templo de Silo, perto do centro do país, Ana chorava desconsolada quando Elcana dividia as porções do sacrifício.
      Ele dava uma única parte para Ana e várias para Fenena, para que elas distribuísse a seus filhos. A outra esposa também atormentava Ana dizendo que Deus a havia amaldiçoado com a esterelidade.
      Era uma provocação grave. Numa sociedade em que todos aguardavam a vinda do Messias, ser estéril significava que Deus recusava à mulher a possibilidade de ser mãe do salvador ou de algum antepassado dele.

      Entre as mulheres dos judeus, ser mãe era uma grande honra. Elas eram consideradas elos de ligação entre o passado e o futuro daquela sociedade.

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