A COPA DO MUNDO É NOSSA – Futebol em tempos de ditadura.



Época de copa do mundo, e a grande maioria das pessoas ficam ouriçadas com esse clima! Normal, visto que essa euforia e esse patriotismo também na maioria das vezes acabam com o fim da copa. Portanto, vou dedicar alguns minutos escrevendo esse artigo sobre futebol no contexto histórico da ditadura, objeto de politicagem e de interferências por parte do governo, nos tempos da ditadura militar o futebol brasileiro foi assunto de segurança nacional.

Além de conduzir os militares ao poder, a nova ordem instituída após a queda do presidente João Goulart, em 31 de março de 1964, foi também decisiva para os rumos do futebol brasileiro. O Estado, reorganizado pelos novos donos do poder, estabeleceu a partir daí uma série de imposições disciplinadoras no universo esportivo. Uma dessas priemeiras demonstrações, com vistas a enquadrar nosso futebol às novas diretrizes governamentais, foi o cancelamento, pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), de uma partida entre as seleções brasileira e soviética.

A medida, que expressava o zelo anticomunista da chamada linha-dura no poder, desarticulou a aproximação esportiva do Brasil com os países do bloco socialista, iniciada pelos governos anteriores.
Logo em seguida, foi a aproximação da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, que passou a mobilizar o governo. Em princípio, nada havia a temer, pois o Brasil se apresentava como o grande favorito na competição. Chegou-se até a propor a confecção antecipada de uma nova taça – se chamaria Winston Churchill – já que era dado como certo que a Jules Rimet voltaria com a delegação brasileira para casa, consumando a posse definitiva do troféu.

Contrariando  a expectativa, a Seleção não foi lá grandes coisas em campo. Depois desse fracasso João Havelange, presidente da CBD, impôs uma série de mudanças na estrutura da Seleção, principalmente a partir da criação da Comissão Selecionadora Nacional (Cosena), estrutura esportiva claramente inspirada no modelo militar que caracterizava a política brasileira no período.
O órgão não conseguiu os resultados que dele se esperava, uma vez que a seleção brasileira colecionou uma série de maus resultados em uma excursão feita à Europa, coroando o fiasco com uma derrota para o México, em pleno Maracanã, No Rio de Janeiro.

Dissolvida a Cosena, Havelange procurava acertar a seleção brasileira a qualquer preço. Nesse sentido nenhuma estratégia era descartável. Foi nessas circunstâncias que o jornalista e radialista João Saldanha assumiu a seleção, sendo bombardeado por todos os lados. Vejam a paranóia daquela época, os paulistas lamentaram que a CBD tivesse se rendido a um carioca, enquanto os militares mais conservadores também falavam em rendição, só que a um comunista.

Assumindo o cargo o novo técnico fez bom uso da geração privilegiada de jogadores que tinha em mãos e angariou uma série de triunfos, aproximando a seleção do homem comum, dos militares e até mesmo dos militantes de esquerda. Estádios ficaram lotados e o Hino Nacional voltou a ser cantado sem adesão à ditadura que foi característica a partir de 1964.

Para encurtar a história (vou já já assistir o jogo, rsrsrsrs), com as transformações na comissão técnica, Havelange tinha agora o caminho aberto para a militarização da delegação que conduziu o Brasil ao México. Esta era chefiada pelo major-brigadeiro Jerônimo Bastos, com a segurança ficando a cargo do major Ipiranga dos Guaranys.

Cabelos cortados no estilo da caserna, preparação física coordenada por militares, contraditoriamente a Seleção se transformaria dentro de campo em paradigma do verdadeiro futebol-arte que tanto se fala desde então.
A cada vitória uma aclamação popular que parecia legitimar o próprio regime. Tudo indica que a presidência fez questão de aproveitar o embalo da seleção brasileira para anunciar à nação o projeto da Transamazônica em junho de 1970, temendo que o encanto propiciado pelo fantástico desempenho da Seleção no México se quebrasse.


Consumada a vitória o governo explorou o tricampeonato de todas as formas possíveis procurando potencializar o futebol como um fator capaz de promover a “unidade na diversidade”.
Paralelamente ao presidente Médici, que recebeu todos os jogadores em Brasília antes de qualquer outra autoridade, já que a delegação voou direto do México para a capital, instituindo feriado nacional para valorizar a recepção, não foram poucos os governadores, prefeitos e vereadores que fizeram de tudo para posar de lado dos craques.


Para os mais diretamente ligados ao governo, repetir o discurso oficial era fácil, uma vez que bastava relacionar o desempenho da Seleção ao momento de euforia econômica que se convencionou chamar de “Milagre Econômico”.

Paralelamente muito estádios começaram a ser construídos em todo o país, Morumbi em São Paulo; Rei Pelé em Maceió; Castelão no Ceará (destaque para esse pois fica em minha cidade, Fortaleza) além de vários outros, eram monumentos que aproximavam o governo do conjunto da população, enquadrando-se no modelo de grandes obras que marcava o período.

Mas João Havelange queria mais, em 1972 ele organizou a Taça da Independência, comemorando o sesquicentenário da Independência do Brasil e logicamente que ele não era bobo nem nada, para sua autopromoção a presidência da FIFA, era uma minicopa.

Pelé se negou a jogar alegando que sua imagem vinha sendo utilizada pelo regime para legitimar  a ditadura no exterior. Sem empolgar a nação como o governo esperava a competição teve um jogo emblemático: Brasil e Portugal. Cento e cinqüenta anos depois, Colônia e Metrópole se encontravam, marcadas por um trágico destino comum: os dois sob governos ditatoriais , é bom lembrar que Portugal ainda vivia sob o regime salazarista.

Em 1975 Havelange foi afastado da CBD tendo o comando da entidade passado para o almirante Heleno Nunes, a esta altura, tanto o dirigente como Pelé eram vigiados pelo DOPS, um dos braços repressores do regime, neste novo quadro, a interferência do governo ditatorial no esporte ganharia ainda mais relevo.

Foi daí que surgiu a máxima atribuída à administração de Nunes, sobre as relações entre futebol e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido do governo: “Onde a Arena vai mal, um time no Nacional”.
Brasil, ame-o ou deixe-o  e Brasil conte comigo! Frases de ufanismo muito comum naquela época  se referem à propaganda do Milagre Brasileiro usada pelo governo para despertar no povo sentimentos nacionalistas.

A MANCADA DO GOVERNO




O gol que o Tostão acabou de marcar foi o maior da sua carreira. Parabéns.

Presidente Lula define prêmio para jogadores que venceram a Copa do Mundo; valor pode chegar a 465 mil reais
O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria. A expectativa é que o anúncio da nova medida seja feito pelo governo na próxima semana.
O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:
Tostão escreveu:- Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas. 
Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia. 
O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época.. 
O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias. 
É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades. 
A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda. 
Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria. 
Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem. 
Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros. 
Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.
 

Tostão

Espero que tenham gostado do artigo, agora tenho que assistir o jogo... rsrsrsr

Pra frente Brasil!!!! Rumo ao Hexa!         

Um comentário:

  1. Passando para conferir seu blog, e parabenizá-lo pelas postagens, o nosso blog está engatinhando... mas, obg pelo incentivo!!
    abraços!!

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