ESTER – A corajosa esposa do rei persa.



“O rei preferiu Ester a todas as outras mulheres, tanto que a coroou e a nomeou rainha (Ester 2,17)”

No século 5 a.C., o povo hebreu vivia disperso em pequenas comunidades. Jerusalém, que foi destruída pelo rei babilônico Nabucodonosor, em 587 a.C., agora se encontrava sob domínio do Império Persa, que tomara o controle de toda a região.
Sem autonomia política, os judeus lutam para preservar as suas tradições frente à cultura do dominador. As disputas religiosas provocam o ódio dos dominantes, que ameaçam exterminar todos os hebreus.

Em meio a esse contexto crítico e instável brota uma história de amor pouco comum.
Ela se passa entre a judia Ester e ninguém menos que Artaxerxes (ou Assuero, em hebraico), então governante da Pérsia.

É graças à sua coragem e à intimidade com o rei que Ester consegue poupar seus conterrâneos de uma carnificina, pois se não vivesse no palácio, Ester não conseguiria salvar seu povo.

O livro de Ester é muito interessante e tem uma grande particularidade em relação às demais passagens do Antigo Testamento, pois seu propósito é mais político do que religioso, quem puder ler irá perceber que o nome de Deus é mencionado pouquíssimas vezes e há raros ensinamentos religiosos.

Os escritos sobre a vida de Ester também serviram para justificar a origem de uma das festas judaicas mais importantes, o Purim, que significa sorte, em hebraico, a comemoração ocorre todos os anos em março ou abril para festejar a sobrevivência do povo hebreu sob a dominação persa.

Durante a festividade é lido o livro de Ester; muitas das histórias do Antigo Testamento foram escritas para explicar a criação de festas típicas, como é o caso de Ester com o Purim.

A heroína salva os judeus do extermínio intercedendo diretamente junto ao rei Assuero.
A Bíblia conta que, logo depois do matrimônio, Ester ficou sabendo que um dos príncipes da corte, Aman, havia mandado redigir uma carta exortando ao extermínio de todos os judeus do império.

Aman tinha uma rixa com o judeu Mardoqueu, tio de Ester.
Ele se recusou a adorar Aman e qualquer outra figura. Esse se enfureceu e disse ao rei: “Que há um povo disperso por todas as províncias do reino que pratica novas leis e cerimônias e, além disso, despreza as ordens do rei. É do interesse do reino não tolerar insolências” (Ester 3,8).

Ester arrisca sua própria vida e pede ao rei que revogue o decreto. Nesse momento, a heroína também revela ao rei sua origem, dizendo ser judia, e conta que Aman pretendia matar todo o seu povo.

O rei que gostava muito de Ester, fica do lado dela. Os escrivães do reino redigem cartas a todos os cantos do império em nome do rei conclamando os judeus a matarem seus inimigos, revogando a ordem dada anteriormente.

O fim da história é trágico. Os hebreus matam 750 mil pessoas em todo o império. Ester continua vivendo em paz com o rei e seu tio passa a morar no palácio.
É ele que cria a festa do Purim. A Bíblia diz que Mardoqueu escreveu todas essas coisas e resumindo-as numa carta mandou-a aos judeus que habitavam em todas as províncias do rei a fim de que o dia 14 e o dia 15 do mês de Adar fossem dias de festa, e os celebrassem todos os anos para sempre com honras solenes, porque nesses dias se vingaram os judeus de seus inimigos.

CELEBRAÇÃO JUDAICA – A festa do Purim

A Festa do Purim é comemorada pelos judeus desde o século 5a.C ou 4 a.C. São os dias mais alegres do calendário judaico. No final de março ou começo de abril, os judeus festejam por dois dias a sua sobrevivência no Império Persa.

O primeiro dia é de jejum e da prática de boas ações. Deve-se enviar pelo menos um presente a um amigo, que precisa ser um alimento pronto para consumo, como biscoito, frutas, doces, vinhos.

Cada pessoa tem também de dar algo a alguém necessitado. A alegria começa no segundo dia, quando as famílias e amigos se reúnem em volta da mesa para comer pratos gostosos, beber e contar histórias divertidas.

Os feitos de Ester também são relembrados e muitas vezes, seu livro é lido em voz alta.
Em Israel, são dias de muita festa.

As crianças vão fantasiadas para a escola e há concursos para ver qual menina é a rainha Ester mais bonita.
Muitos adultos também saem fantasiados nas ruas. Portanto deu para perceber que a ocasião é de puro divertimento, as crianças ficam esperando o ano todo pelo Purim.


ESTER COMO RAINHA – Ester era rainha só no título.

Isso mesmo, Ester era rainha só no título. Ela não tinha direitos oficiais, nem obrigações, por isso não exercia nenhum poder de verdade.
Ester é a preferida do rei, que possuía outras esposas, graças à sua beleza e meiguice.
Mas quando ela quer alguma coisa, como a revogação da ordem de extermínio dos judeus, corre até o risco de ser morta ao fazer seu pedido.          

ALEXANDRE, O GRANDE

Para os estudiosos do Antigo Testamento, o perigo de extermínio pelos persas, que está presente o tempo todo no Livro de Ester, alude a uma outra ameaça, que diz respeito à época em que o livro foi escrito.
A história oral de Ester data do ano de 450 a.C., mas só foi escrita um ou dois séculos depois.

Embora os persas povoassem a memória dos hebreus, a ameaça em questão ocorreu por volta de 330 a.C., quando o macedônio Alexandre, o Grande, conquistou o vasto Império Persa, que incluía a atual Palestina e partes do Irã, do Iraque e da Síria.
Os judeus foram fortemente influenciados pela cultura grega, e mais uma vez surgia a preocupação de salvaguardar as tradições.

É por isso que a história de Ester fala da importância de proteger os costumes de um povo dominado, a cultura dos judeus poderia desaparecer sob o jugo estrangeiro.
Aliás, os judeus foram perseguidos e muitos foram exterminados no período da inquisição empreendida pela Igreja Católica, mas por quê? Isso será tema de uma postagem mais adiante, A FARSA DO COMPLÔ JUDEU.

Continuando... quando o livro de Ester foi escrito, havia ainda outra questão importante que podia fazer pender a balança para o lado de assimilação de uma outra religião.
Na época, havia judeus que procuravam seguir os costumes do dominador, e outros que eram contrários a tais tradições.
A história de Ester provavelmente foi criada para reforçar os ideais desses que contestavam a ruptura das tradições judaicas.
Ester é uma das figuras mais importantes do Antigo Testamento.


Indicação de leitura: Ester, uma mulher de sensibilidade e coragem
Editora: Mundo Cristão
Resenha: O escritor americano Charles Swindoll conta a história de Ester de       forma coloquial, mostrando seus desdobramentos políticos e ensinamentos para o dia-a-dia das pessoas, vale a pena conferir.        


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