Filosofia de vida.


                                                 Coruja dos urais - símbolo da filosofia

Pessoas que são boas para arranjar desculpas, raramente são boas em qualquer outra coisa.
Benjamin Franklin.

Vejo que chegou a hora de falar um pouco a respeito de minha filosofia de vida, sim, aquela a qual escolhi para desenvolver minhas habilidades e principalmente estabelecer relação interpessoal sem prejudicar meu semelhante. É fato que essa postagem será como o próprio nome sugere, filosófica, mas não menos histórica e cheia de curiosidades e aforismos de grandes pensadores. Essa é uma forma de desenvolver melhor meus pensamentos quanto às mudanças que ocorrem a passos largos neste planeta. Para escrever essa postagem tomei como base dois livros que considero pilares para uma vida ética, óbvio que não pretendo obter a santidade do Sumo Pontífice, o Bento XVI, com esse artigo, até mesmo porque já errei muito e continuo errando, mas em dosagens menores e sem muitos estragos, parece que em algum momento encontramos o ponto certo do chamado limite do absurdo e do limite do próximo, e até mesmo dos nossos próprios limites. Então sem mais delongas deixem-me esclarecer a filosofia que é meu norte, minha bússola de ouro e a forma como a escolhi e como a vejo.

DEVEMOS FAZER O QUE SE GOSTA

A escolha de uma profissão é o primeiro calvário de todo adolescente. Muitos tios, pais e orientadores vocacionais acabam recomendando “fazer o que se gosta”, um conselho confuso e a meu ver equivocado.
Empresas pagam a profissionais para fazer o que a comunidade acha importante ser feito, não aquilo que os funcionários gostariam de fazer, que normalmente é jogar futebol, ler um livro ou tomar chope na praia.
Seria um mundo perfeito se as coisas que queremos fazer coincidissem exatamente com o que a sociedade acha importante ser feito. Mas, aí, quem tiraria o lixo, algo necessário, mas que ninguém quer fazer?
Muitos jovens sonham em trabalhar no terceiro setor porque é o que gostariam de fazer. De vez em quando converso com um amigo que é voluntário em uma ONG, ele diz que os jovens chegam e dizem da seguinte forma: “Quero ajudar os outros, não quero participar desse capitalismo selvagem.”

Esse capitalismo selvagem que os jovens se referem caros leitores é o chamado SISTEMA, que sempre tem alguém numa roda de conversa e quer impressionar e diz: “mas o culpado de tudo isso é o SISTEMA!”, sem saber nem o que significa.
É uma arrogância intelectual que se ensina nas universidades brasileiras, pois a maioria das pessoas que ajudam os outros os faz de graça. Estou errado?
As coisas que realmente gosto de fazer, como jogar basquete, ler um bom livro, ir ao cinema, assistir uma boa partida de futebol (preferência quando o cruzeiro estiver em campo) eu faço de graça.

O “ócio criativo” (herança dos gregos), o sonho brasileiro de receber um salário para “fazer o que se gosta”, somente é alcançado por alguns professores felizardos de filosofia (o que não é meu caso) que podem ler o que gostam em tempo integral.
O que seria de nós se ninguém produzisse sapatos e meias, só porque alguns membros da sociedade só querem “fazer o que gostam?”
Pediatras e obstetras atendem às 2 da manhã. Médicos e enfermeiras atendem aos sábados e domingos não porque gostam, mas porque é necessário.
Empresas, hospitais, entidades beneficentes estão aí para fazer o que é preciso ser feito, aos sábados, domingos e feriados.

Sinceramente: eu respeito muito mais os altruístas que fazem aquilo que tem de ser feito do que os egoístas que só “querem fazer o que gostam”.
Então teremos que trabalhar em algo que odiamos, condenados a uma vida profissional chata e opressiva? Existe um final feliz.
A saída para esse dilema é aprender a gostar do que você faz. E isso é mais fácil do que se pensa. Basta fazer seu trabalho com esmero, bem feito. Curta o prazer da excelência, o prazer estético da qualidade e da perfeição.

Aliás, isso não é filosofia de botequim, é um conselho de vida. Se algo vale a pena ser feito na vida então vale a pena ser bem feito. Não procuro entrar na vida das pessoas se eu não posso pelo menos causar um pouco de mudança na vida daquele cidadão/cidadã. Viva com esse objetivo. Você não poderá ficar rico, mas será feliz. Provavelmente nada lhe faltará, porque se paga melhor àqueles que fazem o trabalho bem feito do que àqueles que fazem o mínimo necessário.
Se quiser procurar algo, descubra suas habilidades naturais, que permitirão que realize seu trabalho com distinção e o colocarão à frente dos demais. Muitos profissionais odeiam o que fazem porque não se preparam adequadamente, não estudaram o suficiente, não sabem fazer aquilo que gostam, e aí odeiam o que fazem mal feito.

Sempre fui um perfeccionista e altamente exigente, as pessoas que me conhecem bem sabem que sou assim. Fiz muitas coisas chatas na vida, mas sempre fiz questão de fazê-las bem feita. Sou até criticado por isso, porque demoro demais, vivo brigando com quem é incompetente, reescrevo os artigos do blog umas 50 vezes para o desespero de minha mãe que diz: “menino sai desse computador, já é tarde”. Mas faço isso para proporcionar a vocês leitores um bom texto, algo que seja agradável de ler.

Hoje, percebo que foi esse perfeccionismo que me permitiu sobreviver á chatice da vida, aquela monotonia que teima em não ir embora, como diz aquela tirinha do Garfield: “a segunda-feira que é a mãe de todos os oximoros”. Que me fez gostar das coisas chatas que tenho de fazer.
Se você não gosta do seu trabalho, tente fazê-lo bem feito. Seja o melhor em sua área, destaque-se pela precisão. Lembre-se: a repetição leva a excelência (sempre digo isso a meus alunos).
Você será aplaudido, valorizado, procurado, e outras portas se abrirão. Começará a ser até criativo, inventando coisa nova, e isso é um raro prazer.
Faça seu trabalho mal feito e você odiará o que faz, odiando a sua empresa, seu patrão, seus colegas, seu país e a si mesmo.

A IMPORTÂNCIA DO NÃO SEI

Se você não sabe qual é sua verdadeira vocação. Imagine a seguinte cena:
Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali... aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta: Será que vai chover hoje?

Se você responder “com certeza”... a sua área é vendas: o pessoal de vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.

Se a resposta for “sei lá, estou pensando em outra coisa”... então sua área é marketing: o pessoal de marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.

Se você responder “sim, há uma boa probabilidade”... você é da área de Engenharia: o pessoal da engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.

Se a resposta for “depende”... você nasceu para recursos humanos: uma área em   que qualquer fato sempre está na dependência de outros fatos.

Se você responder “ah, a meteorologia diz que não”... junte-se a Rosana Jatobá ou a Flávia Freire que são as moças mais sexys do tempo nos telejornais. Você é da área da contabilidade que sempre confia mais nos dados do que nos próprios olhos.

Se a resposta for “sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas”... então seu lugar é na área financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.

Agora, se você responder “não sei”... há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à diretoria da empresa.
De cada 100 pessoas, só uma tem coragem de responder “não sei” quando deveras não sabe. Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação. Não sei, é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, para qualquer situação, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.

Parece simples, mas responder... “não sei”... é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida.
Por quê? Eu sinceramente “não sei”.

NÃO FAÇA INIMIGOS

Nas relações humanas, existem apenas 3 regras esseenciais:

Regra número 1: colegas passam, mas inimigos são para sempre.

A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Ou seja, matemáticos, contadores, economistas e leigos de plantão 5 anos depois o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe, tem uma comunidade no Orkut que se chama: Sou frio e calculista, bem isso já diz tudo. Exemplo: se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2007.

Regra número 2: a importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta.

Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia ele será cobrado e com juros compostos.

Regra número 3: um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo.

Muitas vezes, até parece o melhor amigo, mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego ou curso universitário. Amigo é aquele que liga para saber se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega que parecia amigo é aquela  pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ele diz que no momento não pode atender. Durante a vida, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente isso parece ótimo, mas não é assim. No futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais poderá ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos.

Portanto evite fazer inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que tem boa memória.

VIDA ÉTICA – PETER SINGER  x  ÉTICA DA VIDA – LEONARDO BOFF

Vida Ética - Um dos meus livros de cabeceira chama-se Vida Ética, pelo título já dá para saber do que se trata, mas a ética de que trata o livro não é uma simples ética de costumes e sim uma ética baseada em conceitos que antes achávamos banais mas que hoje só faz corroborar os malefícios de tamanho estrago. Peter Singer, um dos maiores filósofos contemporâneos, australiano, vegetariano e um ferrenho defensor da ética biológica, defende os animais que são torturados de forma cruel principalmente pelas grandes empresas de fast-food como é o caso do McDonalds, e aborda também a respeito do trato com ratos de laboratório, meus amigos, vocês não imaginam o que esses pobres animais passam, tortura por cima de tortura e tudo isso para quê? Para o bem da ciência! Ora faça-me o favor. Aborda um capítulo especial sobre o aborto e sobre a utilização de células-tronco embrionárias. Já deu para perceber que o livro é indispensável para quem quer levar uma vida realmente ética, eu recomendo.  




Ética da Vida – a nova centralidade – Leonardo Boff

Esse autor dispensa comentários, sei que é uma frase feita, mas na vida não sei se prestaram atenção estamos rodeados de frases feitas. Pois bem, ainda estou lendo esse livro, estou no terceiro capítulo que trata dos Desafio Éticos e ecológicos no mercado mundial. Leonardo Boff é um dos maiores filósofos e teólogos da atualidade
(do século passado para esse) 
que foi punido pelo vaticano com o chamado “silêncio obsequioso” pelo livro Igreja: carisma e poder (um dos melhores), dia 09/06 /2010 esteve em Fortaleza para participar de um congresso em pós-graduação em direito e o tema central foi justamente o livro que estou a ler, e para minha sorte consegui graças a um grande amigo (Isaac Rodrigues) realizar um dos meus sonhos e falar com ele por 20 minutos, um dos mais preciosos de minha vida podem ter certeza. O livro aborda cosmologia, Deus, ética da vida, o futuro do cristianismo e a morte como invenção da vida. Livro espetacular, como disse estou no terceiro capítulo e é muito bom, Leonardo Boff é leitura obrigatória para quem quer levar uma filosofia de vida agradável.





QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO?

E para encerrar, vejam esses vídeos, essa historinha de 4 personagens do livro Quem mexeu no meu queijo? Também recomendo.

Parte 1


Parte 2


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