RUTE – A estrangeira marginalizada.



“Que você receba uma grande recompensa de Javé, Deus de Israel, pois foi debaixo das asas dele que veio buscar ajuda (Rute 2,12)”

Onde você viver eu também viverei. Seu povo será meu povo, o seu Deus será meu Deus.
Ao ouvir as palavras de sua nora, Noemi teve certeza de que encontrara em Rute uma amiga para toda a vida. A promessa de solidariedade era uma bênção para a velha mulher, que não tinha mais ninguém no mundo. Noemi, havia perdido o marido, os filhos, era pobre e estava longe de sua terra natal, Israel.
Rute vivia uma situação semelhante: era viúva, não tinha filhos, mas ao menos estava em seu país, Moab. Porém, tal como prometeu, deixou a região onde nascera para acompanhar Noemi em seu retorno a Israel.

E esse não foi o único sacrifício de Rute. Em nome da amizade, a viúva moabita também enfrentou a fome, a pobreza e o trabalho árduo. Lutou como poucas para garantir uma vida digna a ela e a sua sogra.

Chamar Rute de amiga ou companheira fiel seria uma redundância. Seu nome, em hebraico, tem esse mesmo significado. Um detalhe leitores, os nomes bíblicos têm todos uma simbologia e o de Rute não é diferente. Significa ‘a amiga’, justamente por sua amizade à sogra.

A saga dessa heroína amiga e solidária é apresentada no Antigo Testamento em um dos poucos livros da Bíblia que levam o nome de uma mulher. O livro de Rute tem um tom de romance e, à primeira vista, parece tratar-se de uma história de amor: a personagem principal, após muitos esforços, supera as dificuldades, encontra um parceiro, tem um filho e vive uma vida feliz.
Esse estilo literário é chamado de midrash, uma pequena história simbólica com o objetivo de fazer passar uma mensagem, por isso não pode ser interpretada literalmente.

A VOZ DAS ESTRANGEIRAS

Para entender a história de Rute, é preciso antes compreender a época em que ela surgiu. A narrativa nos informa que Rute viveu no tempo em que os juízes governavam Israel (1250 a.C. a 1050 a.C.).

Anos antes, os hebreus haviam deixado o Egito e se estabelecido em Canaã, sendo governados por chefes civis e militares, os juízes. Mas é bem provável que a história de 
Rute tenha surgido muito depois, no século 5 a.C. Nesse momento, Israel estava sob os domínio dos persas.
Os judeus haviam retornado do exílio na Babilônia há apenas alguns anos. A situação não era das melhores, especialmente para as mulheres estrangeiras que viviam ali.

O livro de Rute dá voz a essas mulheres marginalizadas, cuja situação transparece nas dificuldades enfrentadas por Noemi e Rute. Elas são migrantes, viúvas e estrangeiras que lutam para sobreviver dentro de um sistema que as exclui. É impossível saber quem escreveu o livro.

Muitas vezes, grupos ou comunidades inteiras participavam da redação dos textos bíblicos. No entanto, tudo indica que o autor (ou os autores) do Livro de Rute atuou como um porta-voz dessas mulheres.
Quanto à existência de uma Rute de carne e osso, isso não é descartado.

DIREITOS GARANTIDOS

A luta por espaço na sociedade israelense era árdua, mas não intimidou Rute. A Bíblia conta que a protagonista chegou com Noemi a Belém (reino de Judá) no período da colheita da cevada. Imediatamente, ela se dirigiu a uma plantação.

Enquanto os trabalhadores seguiam na frente, colhendo a cevada, a viúva ia atrás catando as espigas que eles deixavam cair.
Assim ela exercia um direito conferido aos pobres, que era o de colher o resto das plantações.

Rute também estava consciente de outros direitos conferidos aos pobres e às mulheres como ela. E fez questão de lutar por eles. Os direitos estavam expressos na lei do levirato, segundo a qual o parente mais próximo do falecido deveria se casar com a viúva; e na lei do resgate, que permitia ao mesmo parente impedir a alienação dos bens da família.
Orientada pela sogra, a viúva Rute colocou em prática um plano para seduzir Booz, seu parente.

O plano funcionou, as leis foram cumpridas e uma nova vida se iniciou para Rute e Noemi. A Bíblia conta que Booz se apaixonou por Rute, casou-se com ela e os dois tiveram um filho chamado Obed.

Deu para perceber que amizade, fidelidade e solidariedade são características marcantes em Rute, mas não as únicas.
Quando opta em ficar com Noemi, Rute demonstra autonomia e independência. É ela quem decide os rumos de sua vida.

No judaísmo, Rute é uma mulher de grande valor, um exemplo de conversão sincera. Rute foi embora pobre, sem nada. Largou a família, mas assumiu o povo de Deus e aceitou a unicidade de Deus em coração.
Não é a toa que a história da estrangeira marginalizada serve de inspiração para as mulheres de hoje, independentemente da religião.        

2 comentários:

  1. Oi Randerson, brigada por acompanhar meu blog, tmb estou te seguindo. eu demorei de responder pq tinha um tempinho que n entrava no meu blog rs Gostei muito dos comentários!
    Depois vou olhar o seu blog com calma.
    Vlw

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  2. A história de Ruth, pelo menos para mim é cheia de significados, além destes que vc falou, companheirismo e amizade,eu observo que Ruth, representa uma das primeiras formas de conversão à crença em um único Deus, afinal, pertencia a um povo pagão. Além disso, sua fidelidade a Noemi, irá conduzi-la à Boaz,e por sua vez,ambos farão parte da genealogia do Cristo. Parabéns, adorei a abordagem.

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