CASO DE IRANIANA LEMBRA A PAQUISTANESA MUKHTAR MAI TEMA DO LIVRO DESONRADA.



Ao ler as constantes reportagens sobre o caso da iraniana que está prestes a sofrer apedrejamento lembro do excelente livro chamado Desonrada, um depoimento que conta a história de uma paquistanesa, Mukhtar Mai, vítima em junho de 2002 a uma pena tão cruel quanto esta que está prestes a acontecer.
Mukhtar Mai foi condenada a estupro coletivo. A sentença, decidida pelo conselho local, visava punir a casta Guijar pelo envolvimento de um rapaz de 12 anos – irmão da condenada – com uma moça do clã Mastoi.

Embora não tenha sido nem o primeiro nem o último caso assim no Paquistão, dessa vez foi diferente. A sobrevivente, sim é importante dizer isso, pois a maioria das mulheres paquistanesas submetidas a esse tipo de sentença comete suicídio, analfabeta e humilde, optou pela justiça e em colocar a boca no trombone com o objetivo de mudar os rumos do movimento feminista em seu país e no mundo.

A história de Mukhtar Mai foi ouvida por jornalistas e ativistas de toda parte, impressionados com o ato de coragem inédito num dos ambientes mais hostis ao direito da mulher na atualidade.
Um mês depois da condenação, sob os olhares da imprensa mundial, o governo paquistanês concedeu a Mukhtar, num acordo histórico, o equivalente a 8.500 dólares de indenização.

Dinheiro esse que foi muito bem empregado, diga-se de passagem, ela usou a quantia para abrir uma escola para meninas, na tentativa de evitar que futuras gerações de mulheres cresçam analfabetas como ela e sejam vítimas indefesas de toda forma de barbárie.
A história desta mulher deve servir de exemplo para várias outras, não só para mulheres, mas para o ser humano de forma geral.

Resolvi escrever esta postagem, não somente para retratar o que está acontecendo no Irã, mas também para indicar um livro que merece ser lido várias vezes, haja vista sua profundidade e espírito de vitória que passa no decorrer da narrativa.

O livro é um diário, um depoimento que ratifico, vale muito a pena ser lido até mesmo para servir de inspiração para as constantes lutas que travamos durante o dia.

Com prefácio de Míriam Leitão.

“Desonrada é Best-seller na França, já estão produzindo filmes sobre ela, e personalidades como Laura Bush e o ministro das relações exteriores da França têm feito elogios ao seu trabalho”
The New York Times
Trecho do capítulo Desonra:

A lei paquistanesa permite o encarceramento de todo homem que se envolver em crime de estupro, tenha participado diretamente ou como testemunha. Eles são julgados de acordo com a lei islâmica. Só que perante um tribunal antiterrorista, o que é absolutamente inusitado nesse tipo de caso(...). Minha segurança está garantida. De certa forma, sou prisioneira dela, pois até mesmo meus mais simples deslocamentos são controlados pela polícia(...).
(MAI, Mukhtar. Desonrada. p. 64)

Vale a pena ler esse livro e refletir sobre este assunto, até a próxima.

Indicação de leitura (leitura essencial): 

Desonrada (depoimento)
Autor: Mukhtar Mai / co-autora: Marie-Thérèse Cuny
Editora: Best Seller


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