Guerra Fria - mais quente do que nunca.



Dando continuidade a série Guerra Fria hoje escrevo como se delineou a guerra propriamente dita, seus contornos, enlaces e principalmente o porque de vir a se chamar guerra fria.
Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, muitos julgaram que o mundo poderia respirar aliviado. Mas, logo depois, o medo de outro conflito mundial tomou conta da humanidade.
Quem ou o que provocou? Como isso afetou a política das grandes potências e a de seus aliados? E o dia-a-dia das pessoas, de que forma foi afetado?
Essas são algumas perguntas que pretendo responder no decorrer desta postagem e das próximas que estão por vir.

O MUNDO DIVIDIDO

Quando ouvimos a palavra guerra, geralmente nos vem a cabeça bombas, gritos desesperados, edifícios desaparecendo nas chamas, fogo e fumaça; sensações aterradoras não é mesmo?
Pela descrição acima podemos constatar que se trata de uma série de imagens muito quentes.

Então, o que terá sido a Guerra Fria?

Em uma visão bem simplista posso esclarecer da seguinte maneira: a guerra fria consistiu numa guerra não-declarada entre os Estados Unidos e a União Soviética, na qual os dois lados usaram a propaganda, a espionagem e a intervenção militar para defender seus interesses, ajudar seus aliados e expandir suas áreas de influências; posso também afirmar que essa guerra foi também de imagens e palavras: muitos filmes, livros (mais adiante teremos postagens especiais sobre esses livros), revistas e gibis foram produzidos para veicular mensagens que ridicularizassem o lado oposto.

Enfim, posso reduzir a uma simples explicação: a de que o mundo tornou-se bipolarizado.

Mas o Pistas da História não possui essa característica simplista de livros didáticos, como aplico meus textos mais para o lado investigativo com enfoque nos pormenores que desencadeiam uma série de ações que levam ao clímax da narrativa propriamente dita.

Na universidade norte-americana de Fulton, Winston Churchill pronunciou no dia 5 de março de 1946 um discurso que resumia o balanço da Segunda Guerra Mundial e a situação do planeta após o conflito, considerado o marco inicial da guerra fria:

“(...) Ninguém sabe o que a Rússia Soviética e sua organização internacional comunista pretende fazer no futuro imediato, ou quais são os limites, se é que os há, para suas tendências expansionistas (...). De Stettin, no [mar] Báltico, a Trieste, no [mar] Adriático, uma cortina de ferro desceu sobre o continente. (...)
(BARROS, Edgard Luiz de. A Guerra Fria. p. 19)   


Em março de 1946 Churchill e o presidente norte-americano Harry Truman.

Percebam que por meio desse discurso, Churchill convocava o Ocidente a uma grande cruzada contra a União Soviética. Ao usar a expressão “cortina de ferro”, ele sugeria que o mundo estava dividido em dois blocos rivais e inconciliáveis e que era preciso impedir, a qualquer custo, o avanço do comunismo soviético para além daquela “cortina”.
No ano seguinte, o presidente norte-americano Harry Truman mergulhava de corpo e alma na Guerra Fria, declarando:

“Creio que a política dos Estados Unidos deve ser a de apoiar os povos livres que resistem a tentativas de subjugação por minorias armadas ou por pressões de fora.”
(HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos. P. 226)

Quero também esclarecer que a designação usada por Churchill no discurso havia sido utilizada uma vez em um telegrama no qual Churchill advertia o presidente norte-americano Truman sobre a atividade dos exércitos russos de ocupação e depois em um documento apresentado em Potsdam em 1945.
Eis o ponto a que pretendia chegar, a “cortina de ferro” simbolizava um mundo dividido, que havia emergido das ruínas da Europa e afetava todas as potências européias.

As nações do Leste Europeu, como Hungria, Romênia, Bulgária, Checoslováquia, Polônia e a parte oriental da Alemanha, foram libertadas pelo exército vermelho e ficaram sob influência soviética, transformadas posteriormente em Estados socialistas.

Não posso deixar de mencionar neste espaço que a exceção foi a Iugoslávia, que se desenvolveu como um estado socialista independente sob a liderança do marechal Jozip Broz Tito, que havia derrotado os alemães liderando seu exército guerrilheiro.

A parte ocidental da Europa, por sua vez, foi libertada dos nazistas pelas forças norte-americanas e seus aliados europeus, alinhando-se aos Estados Unidos após o conflito.

Para ajudar esses países na recuperação da crise econômica que os abateu no período posterior à guerra, o governo de Washington promoveu um intenso projeto de apoio, conhecido como Plano Marshall que será tema da próxima postagem juntamente com: a formação da OTAN x Pacto de Varsóvia e a evolução da relação entre as superpotências e seus aliados.

Até a próxima postagem, abraço.


3 comentários:

  1. Eu queria saber como isso afetou no dia-a-dia das pessoas, depois da guerra fria.
    Estou na 8° série.
    Mas mesmo assim brigado.

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  2. muito bom seu blog. Sou professo de geo e inseri o link do seu blog no meu para que meus alunos possam acessa-lo. Parabéns... Prof. Wellington

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    1. Professor Wellington que maravilha o senhor ter gostado do blog. E melhor ainda por ter indicado ao seus alunos. Agora permita-me trocar a gentileza: também quero divulgar seu blog aqui no site, se me permite, claro. É sempre um grande prazer manter contato com os leitores, se quiser pode indicar postagens, fique à vontade. Fraterno abraço. Randerson Figueiredo.

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